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Então, fica combinado assim – noções de realidade à brasileira

 

Bem. Aí, pra rebater, eu digo que essa história do Moro ser agente infiltrado é um delírio das esquerdas, que a queda do avião daquele ministro – como era mesmo o nome dele? Isso, Zavaski, a queda daquele avião, sei não mas ali, sim, ali tem... Aí eu faço aquele jeitão de quem sabe mais do que está dizendo, e tal, deixa comigo.

Pois é. Aí eu digo que a prova de que a Dilma foi vítima de um golpe é que o Eduardo Cunha, que aceitou o pedido de abertura de processo contra ela, está em cana. E que não tarda e a zoiúda vai estar fazendo companhia a ele. Falar mal da zoiúda é bom, o mulherio gosta. E enquanto isso – vou dizer com muita ênfase – Dilma está é muito bem, obrigado!

Mas como bem obrigado, se bloquearam os bens dela por causa da venda da usina de Pasadena? É a prova de que aí é que tem. Ah, tem...

Nesse ponto eu faço um ar de indignação e parto pra cima, dizendo que o Aécio transformou o Congresso em pó e agora respira aliviado.

Ah, mas aí eu viro uma arara e rebato gritando que não aceito ironias com essa história de pó e coisa. Que Aécio é neto do grande Tancredo Neves, um dos maiores líderes do país e mais isto e mais aquilo...

Mas traiu a memória do avô!, vou gritar daqui.

Então, é isso. Acho que tá bom, né?

Tá, sim. Qualquer coisa a gente se telefona e acerta algum detalhe que tenha faltado. E a votação do Temer?

Ah, isso já tá resolvido.

Combinado. Mas fiquei aqui pensando: e o povo? O que a gente vai dizer ao povo?

Que povo? O povo não tá nem aí, cara. Fica frio. Todo mundo diz que fica indignado mas fura fila, consegue emprego pro sobrinho por baixo dos panos, molha a mão do guarda de trânsito e... segue o baile.

E segue o baile! Isso mesmo, tinha esquecido: o povo é apenas um detalhe, como dizia a Zélia, aquela ministra do Collor.

 

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