Vamos devolver o poder a quem de direito

Renata Abreu *

A história nos está dando a oportunidade de varrer a sujeira que paralisa o Brasil. Temos a obrigação de aprender com os erros cometidos e de devolver, imediatamente, a quem de direito o poder: o povo brasileiro. Um futuro que, diga-se de passagem, precisa ser bem melhor que o presente.

A democracia não é apenas uma forma de governo, um regime político, uma forma de vida. É um direito do cidadão. Não há democracia sem participação e sem o povo. O regime será bem democrático quando assegura a livre e direta participação popular.

Estamos atravessando uma instabilidade política e precisamos ir muito além do impeachment. Estamos vivendo uma crise de representatividade gerada pelo enorme distanciamento entre a sociedade e a classe política. Em meio a essa crise, o povo se sente abandonado, desprotegido, órfão politicamente. O cidadão está descrente dos políticos em geral. Não existem mais no Brasil partidos grandes ou partidos pequenos. Perdemos nossa identidade.

Os brasileiros querem discutir e decidir conosco todas as questões importantes, mas vão para as ruas porque não conseguem se aproximar de nós para falar sobre isso, não têm acesso a seus representantes. É a nossa oportunidade de mudar essa situação. É a nossa oportunidade de retomarmos a comunicação com a sociedade, de cumprirmos o nosso papel de representantes do povo.

Os cidadãos estão cansados de falar, de gritar e ninguém ouvir. É chegado o momento de transformar. De devolver a quem de direito o poder de decisão das principais causas do país. Precisamos nos repensar como instrumentos partidários. Temos de virar a página e olhar para a frente, para o futuro. Temos de plantar bandeiras que falem e ouçam a linguagem dos brasileiros.

A nossa Constituição prevê que as classes política e civil interajam apenas no momento da renovação dos mandatos, restringindo o papel da sociedade à decisão de quatro em quatro anos e dificultando a legitimidade das decisões políticas. Mas a Carta Magna também estabelece que haja mecanismos de participação popular, que podem se efetivadas por meio de um novo sistema, de uma nova forma de fazer política, em que o protagonista é o povo!

Nós, do PTN, estamos trabalhando no reposicionamento do partido, porque a forma de comunicação mudou. Hoje vivemos num mundo globalizado. Recebemos informações de qualquer parte do planeta e trocamos opiniões em milésimos de segundo. A tecnologia é o caminho para a mudança política também, na qual as pessoas passam a ter participação direta em todo o processo democrático. A internet é o meio de proximidade da sociedade com a classe política para que, juntos, possam decidir as questões em discussão no Congresso, nas Casas de leis estaduais e municipais e nos Executivos de todo o Brasil. A população tem o direito de opinar sobre um projeto de lei ou até mesmo de decidir qual a orientação de sua bancada parlamentar numa matéria em votação. Isso é democracia em evolução!

O futuro da democracia é a participação direta do povo. A informação é uma necessidade social e primordial para a democracia, promovendo o intercâmbio de ideias, permitindo a formação de opinião pública, defendendo os direitos políticos de participação e exercendo o controle frente aos agentes públicos.

Nesse mundo conectado temos de lançar mão da tecnologia como mecanismo para melhorar as nossas vidas. Para melhorar a relação sociedade-classe política, permitindo que o brasileiro participe dos debates, fazendo uso dos mecanismos para opinar sobres questões públicas e decidir a melhor solução para as mesmas.

Sem a participação direta do cidadão, um regime perde legitimidade democrática. Numa democracia avançada e globalizada, o impeachment não estaria sendo decidido pelos parlamentares, mas pelo povo que, mesmo com dificuldades de ser ouvido, transformou as redes sociais no seu principal canal de manifestação, onde pode opinar sobre esse processo e sobre a atual conjectura política do Brasil.

Eu acredito neste país, onde o poder esteja conectado com o povo. Acredito na democracia. A efervescência social tem de ser debatida politicamente entre todos, políticos e cidadãos, para que juntos possamos construir um novo Brasil, o Brasil com que todos nós sonhamos e almejamos. Um Brasil onde o ator principal é o povo!

* Deputada federal pelo PTN de São Paulo.

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