Um bom governo – parte 2

Há algum tempo, o ex-chefe de gabinete do governador Rodrigo Rollemberg – e meu bom amigo – fez críticas a seu antigo chefe em um longo post no Facebook. Entre outras questões, falava de forma depreciativa sobre aquele que ele denominou de “governador real”. Citou de forma específica situações nas quais em reuniões com os seus assessores o titular do Poder Executivo do DF defendia ações que implicariam em aumento de gastos, sendo aconselhado a desistir de tais medidas.

Ele narrava o fato como se se tratasse de episódios que demonstravam algum tipo de incapacidade ou incompetência do governador. Ao contrário, argumentei eu em resposta ao post, tais atitudes deveriam ser admiradas.

Não é exatamente isso que se espera de um chefe de Estado? Que queira atender às justas expectativas dos cidadãos, dos servidores, dos segmentos organizados da cidade? E não é exatamente isso que se espera também de seus assessores, que com conhecimento técnico expõem com clareza a ele quais as consequências da implementação dessas medidas?

O mais interessante, todavia, é que seria muito simples para o governador impor a sua vontade contra a vontade de seus assessores ou, no limite, substituí-los para ter seus pleitos atendidos. A resposta do Governador à situação foi aceitar as ponderações e desistir daquilo que queria fazer – e em muitos casos com custo político elevado.

É preciso muito discernimento para tomar decisões dessa natureza, e mais do que isso, muita coragem, pois em diversas situações a repercussão política é muito ruim. Esse é o governador que eu quero, esse “governador real”.

Escapando do real para o conceitual, para o ideal, parece-me que esse é um modelo a ser seguido: a dialética entre técnicos qualificados e políticos visionários produzindo decisões que possam atender, da melhor forma possível, ao interesse público amplo e não apenas a cada conjunto de interesses dos diversos segmentos da população. Não que isso exclua o atendimento, por exemplo, de uma comunidade específica de qualquer região administrativa – o que se diz aqui é que mesmo esse interesse deverá estar sujeito ao interesse público maior, mais amplo, e que nesse “embate” de natureza técnico-política a decisão tomada tem maiores probabilidades de ser a mais adequada.

Governar é tarefa duríssima, o governador real bem o sabe.

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