Um bilhete para o Juremir

Juremir, desculpe-me por tratá-lo assim, com intimidade, chamando-o pelo primeiro nome. Apesar de não conhecê-lo e até há poucos dias atrás ignorá-lo, tomo a liberdade de chamá-lo de você. Aproveito para te dizer que, no seu blog, vi sua foto, o que me deixou com a certeza de que não deveria chamá-lo de senhor.

Como é um bilhete, deve ser curto. Assim aprendi no meu tempo de escola. Naquele tempo, ensinavam o que era bilhete: sempre um texto curto. Quando maior, era uma carta.

Ensinavam também o tratamento: quando era você, senhor, excelência, etc. Ensinavam também o que era e por que era usado o etecétera. Hoje sequer sei se alguém escreve bilhetes. Mandam SMS e WhatsApp e outras coisas mais que devem existir, e que pela minha ignorância tecnológica não conheço.

Como é um bilhete e deve ser curto, vamos ao que interessa. Li seu artigo, “A cultura do ódio na internet e fora dela”, publicado no Viomundo. Li, gostei e fui procurar seu blog. Encontrei e de imediato gostei do João Almino, da maneira de ele responder e da sua de escrever. Mas não é disso que quero falar. Quero falar do conteúdo.

Sei que é um bilhete e deve ser curto, portanto me desculpe, mas quero fazer uma observação: quando deputado federal, com o intuito de ser um democrata de corpo, alma, pensamento e espírito, comecei a publicar no meu Facebook todos os comentários que enviavam.

Publiquei até o dia em que um jornalista amigo meu comentou: “Rosinha, não confunda democracia com idiotia. Você está sendo um idiota dando guarida àqueles que te xingam, te desancam. Pare de publicar os comentários que te agridem”. Parei.

Juremir, creio que com essa frase você já entendeu a razão deste bilhete. Mas como é um bilhete público, vou continuá-lo. Você comenta no seu artigo “A cultura do ódio na internet e fora dela” o debate organizado pela deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) sobre o ódio na internet.

Discorre no artigo sobre a ignorância, a imbecilidade, a agressividade, a intolerância, o ódio e tantas outras mazelas que são pregadas e espalhadas pela internet. Muitos já notamos isso. O pior é que muitos dos idiotas e imbecis não sabem o que são (idiotas e imbecis) e continuam praticando idiotices e imbecilidades.

Mas resolvi escrever este bilhete quando li no seu texto a seguinte frase: “Leonardo Sakamoto, blogueiro da Folha de S.Paulo, e eu, sem qualquer contato, paramos de liberar comentários em nossos blogs”. É isso mesmo. Como já te disse acima, fiz o mesmo quando deputado federal e o fiz pelas mesmas razões de vocês: cansado de “ameaças, perseguições, calúnias e bullying”.

O pior disso tudo é que quem escreve acha que a internet é de outro mundo, que nada acontecerá e, infelizmente em parte, tem razão. Fiz várias representações na Polícia Federal pedindo investigação, e até agora não obtive qualquer resposta. Somos vítimas de calúnias, difamações e ameaçados de morte, e nada acontece.

Juremir, você já deve ter notado que o idiota ou imbecil perdeu a vergonha de mostrar a sua idiotice ou imbecilidade. Manifestam-se pela internet, nas ruas, nas praças, hospitais, shoppings, restaurantes, ou seja, em todo e qualquer lugar.

Já cansado de tanta idiotice e imbecilidade, em janeiro escrevi um artigo intitulado “Idiotas e imbecis”. Escrevi esse artigo para sentir qual seria o comportamento dos imbecis e idiotas que comentam meus artigos quando publicados.

Sabe, Juremir, não tive surpresa alguma: os mesmos idiotas e imbecis de sempre fizeram os mesmos comentários que sempre fazem, independentemente do conteúdo do artigo.
Juremir, acho que eles não leem o artigo. Melhor, não leem coisa alguma. No fundo, são tão limitados que alguns deles, desculpe a sinceridade, são burros e o pior, não sabem disso.

Juremir, desculpe-me. O que era para ser um bilhete, de acordo com o que me ensinaram na escola, virou uma carta. Também não sei por que pedir desculpas, pois sequer sei se este texto chegará às suas mãos.

Ah! Muitos dos idiotas e imbecis, sem ler este bilhete, e se lerem creio que pouca diferença fará, pois perderam a vergonha de se mostrar em público, farão as mesmas ameaças e comentários de sempre.

Prazer em conhecê-lo.

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