Um 12 de abril que promete ser histórico

Como vocês já sabem, no próximo domingo, 12 de abril, três grandes grupos nas redes sociais marcaram novas manifestações em dezenas de cidades pelo país, nos mesmos moldes das que foram realizadas no último 15 de março. Até o momento, pouco mais de 400 cidades por todo o país já confirmaram seus eventos. E, novamente, a ideia é marcar posição contra a continuidade de Dilma Roussef na presidência da República.

Mas não se trata apenas disso. Um dos principais articuladores dessa movimentação, o grupo Vem Pra Rua, divulgou esta semana as quatro principais reivindicações. As duas primeiras, que são o "Fora Dilma" e o fim da entidade Foro de São Paulo, são por demais ideológicas e dificilmente construirão consenso suficiente para serem concretizadas. A quarta é um apelo de proteção para as investigações da Operação Lava Jato. Ok, é apenas para pressionar e mostrar aos políticos que estamos de olho. Mas um apelo desses é meio óbvio e não altera muita coisa.

A terceira reivindicação é a mais palpável e merece atenção de todos. Trata-se da exigência de transparência nas operações do BNDES, especialmente aquelas relativas a países estrangeiros. Afinal, num momento de aperto fiscal, somos nós quem seremos sobrecarregados por essa conta. E, por isso mesmo, é imperativo que saibamos o que está acontecendo. Além do que, especialistas em relações internacionais afirmam que empréstimos como os que o BNDES realiza devem obrigatoriamente passar pelo crivo dos representantes da sociedade. Ou seja, o Congresso Nacional.

Até o momento, a instituição vem desrespeitando todos os pedidos de informações, seja do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público Federal e até da Controladoria-Geral da União. E isso deixa a todos com uma certa pulga atrás da orelha sobre o real teor de cláusulas classificadas como sigilosas.

Principalmente depois do escândalo vivido pelo governo argentino e suas supostas negociações nebulosas com o governo do Irã, é preciso que o BNDES aja como verdadeira instituição de Estado e dê uma satisfação clara e definitiva à sociedade brasileira. Pois não se trata de capricho dos que se opõem ao governo, mas do cumprimento dos dispositivos da Lei de Acesso à Informação.

Agora em abril as redes voltam a mobilizar a cidadania! E a responsabilidade política dos que podem dar rumos ao movimento social aumenta! É preciso ir às ruas, sim, mas a pauta deve estar focada em políticas públicas eficientes, transparentes, necessárias e absolutamente abertas ao controle social dos cidadãos.

E, para além de pautas e motivações políticas, temos de ir às ruas de forma consciente e realista, sabendo o que pode ou não ser proposto e alcançado. Aí sim, teremos um grande contingente de agentes de cidadania, dispostos a influenciar o debate público e a discutir o futuro do país sem qualquer viés partidário ou eleitoral de momento.

Acompanhem de perto a evolução dos acontecimentos, pois estamos vivendo um momento histórico da cidadania brasileira!

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