Super Obama, o que tudo podia

A imagem de Barack Hussein Obama II ainda continua vendendo de picolé a celular, passando por artigos menos ortodoxos ou menos comuns.




E Obama vende no Brasil, no Quênia, na China e em qualquer lugar. Já em casa, Barack não tem o mesmo sucesso de ontem. As pesquisas mostraram uma queda constante até o índice Obama se estabilizar por volta dos 50%. Tudo normal, faz parte do jogo num país historicamente dividido como os EUA.




Os americanos são meio estranhos, politicamente falando. Ou pelo menos uma boa parte da população. Para começar, lá não há opção: a pessoa nasce democrata ou republicana, figuras identificadas como liberais e conservadores, respectivamente. E o que é pior, republicano é a direita e democrata é a esquerda. E jogue tudo no mesmo balaio de gato e estamos conversados.

Essa não é a percepção geral, mas uma definição que interessa muito à extrema direita que joga o seu jogo sujo aonde quer que seja. A baixaria rola na rede cibernética, no rádio, na TV, nos jornais e nas revistas. No Congresso alguns membros do Partido Republicano fazem parte do esquema. O comportamento da raivosa direita americana não é “normal”. A estratégia é o vale-tudo, desde que seja para infundir o medo nos americanos menos informados, o que não falta na América.

Claro que Obama não é o Super Obama das histórias em quadrinhos e mais claro ainda estava que a direita iria dar o troco assim que pudesse. A eleição de Obama ainda não foi digerida e jamais o será por essa direitona raivosa e doente.

O encanto Obama passou. De volta ao futuro e à dura realidade do dia a dia, as guerras do Iraque e do Afeganistão seguem matando indiscriminadamente os insurgentes iraquianos, os talibãs, as tropas americanas e muitos civis. O cardápio da discussão política inclui os eternos problemas internos, os imigrantes ilegais e a falta de seguro-saúde para mais de 50 milhões de cidadãos da maior potência econômica do planeta, tudo isso somado à mega crise que derreteu várias empresas de Tio Sam. Resumindo, prato cheio para os republicanos atacarem. E atacar é com eles mesmo.

Na falta de um argumento melhor, espalhar a ideia de que Obama é socialista ou comunista ou, ainda, fascista e ou nazista foi a estratégia. Ou seja, a mesma do governo Bush. O negócio é vender o medo, se colar colou.

Uma imagem em especial colou...

O “Obama Joker” é obra de um garoto americano de Chicago. Firas Alkhateeb tem só 20 anos e é descendente de uma família palestina. Brincando de “Photoshop”, ele resolveu experimentar com a imagem de Obama da revista Time. Firas gostou do resultado e jogou no Flickr.




Alguém pegou a imagem de Obama no Flickr de Firas e colou a palavra “socialismo” embaixo.

A partir daí o Flickr do estudante de história explodiu com uma enxurrada de visitas. Logo depois a imagem ganhou as ruas...



E caiu bem na rede...

Firas Alkhateeb não votou nem em Obama nem em ninguém na eleição passada de novembro. Ele não é fã de Barack e muito menos acredita que o presidente consiga mudar (para melhor) a vida dos americanos em geral.

Alkhateeb não concorda com o rótulo socialista que colocaram no Obama Joker. Ele disse em entrevistas que não faz sentido chamar Obama de socialista.

Algum tempo depois, o Flickr, alegando problemas de copyright, retirou a imagem de “Obama Joker” do site.

Mas a rede gostou do Obama cara de branco, e o Obama Joker segue rodando.

Aproveitando a imagem iconográfica da campanha de Obama, a direita contra-atacou com as mesmas armas e foi buscar nos cartazes da época da União Soviética a fonte para tentar inventar o Obama comunista.



Aproveitaram a viagem e passaram pela China de Mao...



e pela Alemanha de Hitler



A direita ou os conservadores estão adorando a estratégia e apostam que a imagem do presidente comunista pode pegar. A “jogada” é para hoje. As propostas do governo no Congresso são o alvo imediato, mas os republicanos querem retomar o poder e deixar tudo como antes. Eles têm tempo de sobra, a próxima eleição será em 2012. E não custa tentar, se colar colou. E o que não falta é americano desinformado e com medo do falecido comunismo, do socialismo, do islamismo, dos negros africanos e seus descendentes, de tudo que não seja espelho. Viva o capitalismo!

Obama, que deu um show de comunicação na campanha, está perdendo a batalha da imagem.

O colunista John Avlon, do site The Daily Beast, escreveu: “Fazer oposição ao presidente é patriótico. Compará-lo a um ditador comunista é ofensivo e idiota.”

E Philip Kennicott, do Washington Post, lembrou que a Vanity Fair publicou em julho de 2008 um Bush Joker.

Kennicott fez a comparação entre os propósitos das imagens. Bush foi publicado em um contexto dentro da matéria para ilustrar como o ex-presidente era imprevísível, pelo menos na visão de seus adversários. Já a imagem de Obama veio para ficar e grudar. A ideia é marcar para sempre Obama como um perigoso socialista.

O clímax chegou ao Congresso quando, durante o discurso do presidente Obama na quarta-feira, 9 de setembro, o deputado republicano Joe Wilson gritou duas vezes para Obama: “Você mente”. Traduzindo menos literalmente, “é mentira”!

O deputado teve de pedir desculpas ao presidente, mas umas desculpas,   por assim dizer, bem esfarrapadas. O comando do Partido Republicano não aprovou os xingamentos do deputado e o obrigou a se retratar.

Não é a primeira vez que Wilson ofende alguém e pede desculpas depois. 

Em 2002, acusou o deputado Bob Filner de odiar a América. A discussão era sobre as famosas armas de destruição em massa, uma das invenções de Bush. O insulto foi ao vivo num programa de TV do canal C-Span. Wilson se desculpou depois.

Já a direita raivosa adorou e apoiou Joe Wilson, um ex-coronel da Guarda Nacional e que ainda hoje faz apologia dos confederados. Na Carolina do Sul, o estado do infame deputado, a bandeira colorada tremulou até o ano de 2000.

Joe Wilson virou herói aqui e ali, na rede nossa de cada dia.

E a rede se presta a outras bobagens... a direitona baba... de raiva e com raiva, às vezes revela ódio.



Para quem se interessa pelo assunto, o Los Angeles Times publicou uma interessante análise.


The voices behind Joe Wilson

Difícil de se dormir com um barulho desse.

Eles acabam se arrumando. A indústria bélica continua mandando nas terras de Tio Sam.

O máximo que pode acontecer é uma troca de pa

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