Saúde, mais eficiência, menos politicagem

Carlos Roberto *

Relatório realizado pelo Banco Mundial revela que o sistema de saúde no Brasil carece mais de eficiência do que de verbas. O estudo, divulgado na última segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, aponta que problemas de acesso e cuidados especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) têm mais a ver com desorganização e ineficiência do que com falta de dinheiro.

Ou seja, o governo federal, nas mãos do PT, repete a ineficiência, já que, por não saber, faz mal feito e gasta muito, o que resulta em problemas para as pessoas que mais precisam do atendimento público. São erros ou atrasos nos diagnósticos, erros na seleção e administração de tratamentos, demora na divulgação de resultado de exames ou uso de tratamento incorreto ou inapropriado. Isso tudo acontece desde as pequenas cidades até as grandes metrópoles. Muitos agentes públicos, em vez de realizar, gastam muito mal o dinheiro disponível, sem conseguir atender as reais demandas da população.

O Banco Mundial identifica que mais da metade dos gastos com saúde no Brasil se concentra no setor privado. O gasto público, que chega a 3,8% do PIB, está abaixo da média de países em desenvolvimento. Mesmo assim, o relatório indica que é possível fazer mais e melhor com o mesmo orçamento. Magnus Lindelow, líder de desenvolvimento humano do banco no Brasil, revela que “diversas experiências têm demonstrado que o aumento de recursos investidos na saúde, sem que se observe a racionalização de seu uso, pode não gerar impacto significativo na saúde da população”.

Isso significa que não adianta colocar mais dinheiro em um sistema ineficiente. Primeiro, é necessário melhorar a gestão para que não se repitam os velhos vícios de sempre. Um exemplo citado no relatório é a baixa eficiência da rede hospitalar. Os hospitais poderiam ter uma produção três vezes superior à atual, com o mesmo nível de insumos.

Mais da metade dos hospitais brasileiros são unidades pequenas, com menos de 50 leitos. A literatura internacional, porém, aponta que, para ser eficiente, são necessários mais de 100 leitos.

Diante de mais essa constatação, aumenta a certeza de que o Brasil precisa mudar imediatamente seus parâmetros de administração pública. Não dá mais para compactuar com a incapaz gestão do governo federal, que não consegue definir uma política de saúde, com a definição de metas claras que tenham como objetivo principal melhorar a vida das pessoas.

O governo do PT vive em busca apenas da perpetuação no poder, utilizando-se de equipamentos públicos apenas para fazer uma política de partido e não de governo. Não à toa, os principais cargos de primeiro escalão, incluindo o Ministério da Saúde, são ocupados por políticos e não por técnicos, capazes de melhorar a gestão do sistema e resolver, com os recursos disponíveis, os reais problemas que afetam a população.

*Carlos Roberto é deputado federal, presidente da subcomissão de monitoramento das políticas de financiamento dos bancos públicos de fomento, com destaque ao BNDES, e industrial.

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