Relações governamentais no novo cenário político

Ulisses Rapassi *

Se antes da vigência de lei de responsabilização da pessoa jurídica e da Operação Lava Jato a atividade de relações governamentais era uma necessidade, agora passou a ser um imperativo das empresas privadas.

Os recentes escândalos e o resultado apertado da eleição presidencial ampliaram enormemente as dificuldades na defesa de interesses. Cada vez mais será necessário o respeito ao código de conduta e ao profissionalismo no exercício dessa atividade.

A sociedade está cada vez mais intolerante em relação a descuidos com princípios éticos e morais e a oposição, além de maior, mais organizada, está mais hostil ou menos cooperativa com as iniciativas governamentais, assim como o governo estará mais resistente às propostas da oposição.

As consultorias que editorializam suas análises ou que seus dirigentes fizeram questão de expor suas opções no período eleitoral certamente fecharam portas, tanto na situação quanto na oposição, independentemente de que lado tenham ficado na eleição presidencial.

Nesse cenário, contar com consultorias e profissionais testados e independentes passou a ser fundamental na defesa de interesse, de pleitos ou direito perante os poderes públicos.

Quem não for capaz de fazer a leitura adequada da conjuntura, dos atores e medir a correlação de forças nesse novo ambiente, seja por cegueira política ou por engajamento partidário, certamente terá maiores dificuldade na relação com o governo e com o Congresso.

A atividade de relações governamentais, que consiste na representação, na articulação e na defesa de interesses, deve ser estritamente profissional. Não pode ser confundida com disputa de poder, que pertence a outras esferas de atuação, como os partidos políticos.

*É diretor e analista da Macropolítica.

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