Quer passar em concurso público? Durma bem!

Meus amigos, minhas amigas!

Dormientibus non sucurrit jus, diz a expressão latina tão conhecida dos advogados, que significa, em português, “O Direito não socorre os que dormem”, para aqueles que perdem os prazos processuais ou deixam escapar o momento oportuno para alegar determinada questão ou recurso jurídico. Passado o momento certo, a oportunidade está perdida. Ou, como dizem os gaúchos, “o cavalo passou encilhado na sua frente e você não montou”!

Esse pensamento me ocorre, guardadas as devidas proporções, ao tratar do tema do nosso artigo desta semana, em que a ideia é justamente o oposto: os que dormem (bem) são os que melhor aproveitam as horas de sono para aprender as lições recebidas durante o dia. Isso vale também, é claro, para vocês, que estudam para concurso público.

Já explico.

Mas antes, quero passar para vocês um pensamento altamente positivo, do escritor Caio F. Abreu, daqueles para ter na mesinha de cabeceira e ler sempre antes de dormir, porque isso vai ajudar muito na sua vida de concurseiro, como veremos a seguir:

“Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer. Nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar. Nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente. EU SOU: e se não for, me farei”.

São muitas as pesquisas científicas que relacionam o sono e o aprendizado. Quem se prepara para concurso público deve conhecer esses estudos, que podem fazer a diferença entre a aprovação e a reprovação de um candidato. Recentemente, por exemplo, psiquiatras e pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) constataram que se você estudar por cinco horas seguidas, não vai se lembrar nem de longe tanto quanto se lembraria se estudasse uma hora, cinco vezes por semana.

Parece incrível, mas é verdade, garantem os cientistas. Eles explicam que o mais importante é memorizar no mesmo dia e não deixar tudo guardado lá no fundo do baú – no caso o cérebro – para resgatar depois como um exercício de memória. Então, aprendeu algo pela manhã? Revise-o antes de ir para cama, pois é durante o sono que as informações migram da memória de curto prazo (consciente) para a de longo prazo (inconsciente), aquela que você consultará no dia do concurso.

Mas atenção, caro concurseiro e cara concurseira: lembrem-se de uma regra de ouro que deverá ser seguida durante a preparação para a conquista da vaga, independentemente da questão do sono revelada pela pesquisa:  pelo menos uma vez por mês o candidato deverá estudar no tempo de duração da prova, que é aquele previsto no edital do concurso.

Mas voltando ao tema do artigo, segundo os neurologistas, o sono é dividido em ciclos que duram 90 minutos. Em uma noite, seu corpo precisa de quatro a seis ciclos (seis a nove horas) para a recuperação e a liberação de hormônios, o relaxamento da musculatura etc. Quem não dorme o suficiente costuma ter problemas de concentração, dor de cabeça, irritação, fadiga e outros problemas de saúde. E não adianta dormir duas horas à tarde para compensar as quatro horas de sono da última noite. Tente reorganizar sua agenda de estudos para cumprir a cota mínima de sono.

Há estudos que demonstram como isso funciona na prática: se colocarmos dois grupos para aprender, um dormindo à noite e o outro perdendo a noite de sono, o primeiro grupo aprenderá mais. Nas pesquisas com seres humanos são utilizados jogos pelos cientistas: a pessoa joga antes de dormir e ao acordar participa do mesmo jogo. É nessa fase que os estudos conseguem identificar a existência de um melhor aprendizado, pois o sono funciona como uma espécie de “digestão da memória”. A pesquisa desse tipo de aprendizado envolve preferencialmente pessoas que têm sono regular, de 7 a 8 horas diárias, pela complexidade dos estudos que são realizados.

Eu poderia parar por aqui, mas há outra pesquisa que gostaria de partilhar com vocês sobre esse assunto. Um cientista belga que trabalha na Espanha garante que o sono, além de ajudar a fixar no cérebro os conhecimentos adquiridos durante o dia, serve para melhorar as habilidades linguísticas.  Ele chegou a essa conclusão, investigando, assim como seus colegas das outras pesquisas, as funções que o cérebro desenvolve enquanto dormimos, uma questão que continua em aberto, como se pode ver pelos diferentes resultados que cada um obtém em seus trabalhos.

Neste último caso, os experimentos, diz o cientista belga, demonstram que durante as horas de sono o cérebro revisa as palavras aprendidas durante o dia e as fixa na memória linguística. Ele empregou a aprendizagem de palavras novas para comprovar a hipótese sobre a atividade cerebral durante o sono, e concluiu, curiosamente, que "as palavras lutam entre elas pelo acesso à memória em nosso cérebro e somente após dormir as palavras recém-aprendidas conseguem o status de palavra assimilada".

"De certo modo, o sono torna as palavras reais", diz o autor da pesquisa, publicada no periódico científico Cognition, especializado no estudo do cérebro, que apontou a fantástica atuação do cérebro durante as horas de sono: ele revisa as palavras aprendidas durante o dia, melhora as habilidades linguísticas e fixa as palavras aprendidas.

Depois disso, caros amigos e caras amigas, só me resta desejar a vocês uma ótima preparação para os próximos concursos e maravilhosas noites de sono para fixar em suas mentes tudo que tiverem aprendido antes de dormir, pois dessa forma, logo os sonhos de aprovação se tornarão realidade e os levarão à conquista do não menos sonhado.

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