Que futuro?

Arnaldo Jardim*

O mundo está bastante conturbado. A estagnação da economia dos EUA; a crise na Zona do Euro; o desenlace da chamada “Primavera Árabe”; o avanço da China no comércio global. Hoje, existem mais perguntas do que respostas quanto ao nosso futuro.

Organizei, recentemente, o seminário “Que mundo emerge pós-crise”, evento concorrido que contou com as participações do Embaixador Roberto Abdenur, 44 anos de diplomacia com passagens pelos EUA, China e Alemanha, e Sérgio Fausto, diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC), jornalista e cientista político.

Pós-Crise?

O tabuleiro global passou por grandes transformações após dois fatídicos setembros. Em 2001, no dia 11, o primeiro ataque terrorista de grandes proporções em solo norte-americano que atingiu quase simultaneamente o coração do seu centro econômico, o Pentágono e. se não fosse a ação de abnegados passageiros, também atingiria a Casa Branca.

Até aquele momento, após a queda da URSS (1991), que determinou “o fim das utopias”, os EUA ditavam as regras do jogo, afinal o capitalismo do “american way of life” havia “vencido” o comunismo.

Os ataques terroristas deflagraram uma corrida belicista contra o chamado “Eixo do Mal”. A partir daí, os custos astronômicos das guerras no Iraque e no Afeganistão passaram a inflacionar o galopante déficit na balança comercial dos EUA.

O segundo setembro fatídico foi quando eclodiu a crise financeira global de 2008, que levou à bancarrota economias inteiras, e evidenciou a ausência de mecanismos de fiscalização e controle capazes de evitar a sanha especulativa do subprime dos derivativos.

Em suma, ainda é prematuro falar em pós-crise, pois ainda não é possível vislumbrar seu desfecho, e que se complica mais pelo momento conturbado da corrida presidencial nos EUA.

Novas lideranças

A instabilidade global intensifica-se e coloca em xeque a supremacia dos EUA no mundo, seja do ponto de vista econômico, social e político.

Assim, a governança global de entidades como a ONU, OTAN, G8, ruiu, permitindo o surgimento de novos players no mercado. O chamado BRIC (Rússia, China, Índia e Brasil) questiona a falta de representatividade nas decisões desses órgãos internacionais, ao mesmo tempo em que sua pujança econômica impõe o chamado G-20, como uma forma de equilibrar melhor as forças.

O enfraquecimento do dólar frente a outras moedas também levanta dúvidas sobre sua função e abre para a necessidade de estabelecermos um novo padrão monetário.

É certo que vivemos num mundo multipolar, em que a China terá um papel preponderante, mas não nos moldes hegemônicos dos EUA num passado recente, ou seja, de um centro hegemônico passamos para um mundo multipolar.

Redefinir caminhos

O padrão de consumo atual se mostra insustentável pelo simples fato de ser inacessível à maioria da população mundial, além de comprometer sobremaneira nossos recursos naturais. O efeito estufa e as consequentes mudanças climáticas são efeitos desse descompasso que terá obrigatoriamente que ser alterado.

Surge então a necessidade de estabelecermos novos parâmetros sobre que desenvolvimento. Será que ele deve ser mensurado apenas pelo desempenho econômico, sem levar em conta as questões sociais e ambientais?

E o bem estar, deve ser medido apenas pela nossa capacidade de consumir ou também é preciso levar em conta as conquistas sociais, como acesso à saúde e educação de qualidade?

No campo político, quem liderará e quais as novas regras de governança mundial?

Do ponto de vista econômico, surge oportunidade da Economia Verde estabelecimentos novos para setores como transporte, geração de energia, dentre outros.

Projeto Nacional

E qual o papel do Brasil diante de todo este processo? Qual a nossa participação relativa na Divisão Internacional do Trabalho? Quais alianças devem ser buscadas daqui para frente?

Somos quase 200 milhões de brasileiros, a 8° economia do mundo, mas com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ínfimo se comparado aos nossos vizinhos sul-americanos.

Acredito que se o momento atual é de crise e de incertezas quanto ao futuro. Existe, porém, uma janela de oportunidades se abrindo para o Brasil e precisamos estar preparados. Temos o Pré-Sal, as vitrines da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016, eventos que devem ser utilizados para deixar um legado às gerações futuras e para isso precisam estar inseridos num projeto estratégico, debatido por toda a sociedade, que fixe parâmetros econômicos e sociais, defina setores prioritários e que oriente o país para o futuro. Enfim, um Projeto Nacional para o Brasil.

*Deputado federal, pelo PPS de São Paulo

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