Presidente evangélico e suas leituras

“Sobre o ser humano - é impressionante que, apesar de sua notória estupidez, sua absoluta incapacidade de reconhecer a realidade que o cerca, sobretudo, a realidade de sua própria ineficácia pra sobrevivência, o homem continue a se achar o rei dos animais. E todos sabem que, quando Deus criou o homem, todos os animais que estavam em volta só não  caíram na gargalhada por uma questão de respeito."

Milllôr Fernandes – Millôr Definitivo – L&PM.

O presidente Bolsonaro, se atendesse às recomendações de seus auxiliares e tirasse uns quatorze dias para se recuperar do cansaço e dos riscos que corre ao manter contato com o povo, deveria passar umas horas trabalhando em casa e acompanhando os informes reservados que lhes são enviados a cada minuto.

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Nos intervalos, deveria ficar na biblioteca – salva pela primeira-dama – e, primeiro, como evangélico, recorrer ao livro sagrado e ler, em Tiago 3, as recomendações sobre “Os pecados da língua e o dever de refreá-la”: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos maior juízo. 2- Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar e perfeito varão, capaz de refrear também todo o seu corpo”

Se, no entanto, considerar a Bíblia muito grande e de letras pequenas, assista  biografias que estão disponíveis na televisão. A vida de personagens históricos serve muito para melhor compreender as vicissitudes da vida.

Quando cansar dos temas suaves, procure nas estantes o livro “Gabinete de Crises” de José Alberto Cunha Couto e José Antônio de Macedo Soares, que auxiliaram o general Alberto Mendes Cardoso na criação do gabinete que serviu, e serve, como auxiliar imprescindível do governante. Chame os membros atuais do gabinete ou convide seus velhos companheiros de caserna que por ali passaram para contarem os percalços de cada governo.

Recentemente assisti a uma palestra sobre assunto, na qual, ex-membros do primeiro gabinete de crise, demonstraram a importância de estar bem informado.

Cansado de tantas indicações, pule na piscina, faça ginástica para se manter atleta sênior, sem descuidar da alimentação frugal.

No dia seguinte, ao invés de sair do Palácio da Alvorada, lembre-se que ali morou Juscelino Kubitschek, criador da Capital Federal, desbravador do interior do país abandonado desde o império e implantador de  tantas outras inovações que nos tornaram uma grande nação.

JK, indômito e não mito, prometeu transferir a Capital para o Centro-Oeste e que faria um governo de cinquenta anos em cinco, nos tirando dos métodos obsoletos, unindo  políticos, anistiando adversários e respeitando o regime democrático até o fim do governo.

Jair Messias Bolsonaro, que sobreviveu a um atentado que quase lhe tirou a vida, renasceu, mas não é o Emissário de Deus que, talvez, esteja pensando que é.

Nestes tempos nebulosos e cheios de incertezas, o presidente tem o dever constitucional de liderar os seus cidadãos e olhar para trás e relembrar os feitos que já realizou em prol do país em um ano e três meses de governo.

A indicação de técnicos para auxiliá-lo como ministros, o combate rigoroso à corrupção, a quebra do controle dos trabalhadores pelos sindicados, a manutenção da ordem e da segurança pública como combate às organizações criminosas, a liberdade e o direito de expressão, além da reforma da previdência que rolava há anos nos misteriosos escaninhos da burocracia; não é pouco.

São muitas ações e decisões fundamentais em tão pouco tempo. Na verdade, o governo governa, e o presidente fala.

Presidente Bolsonaro, governe um ano em um ano; e a verdade o libertará.

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