Precisamos falar sobre LGBTfobia

“O mundo não é gay. Se vocês têm simpatia por essa causa, é direito de vocês, mas assumam. Não fiquem querendo inocular nas crianças esse lixo, porque a Câmara dos Deputados não vai aceitar, com toda certeza.” (deputado federal Jair Bolsonaro, PP/RJ, 26 de março de 2015)

“O comportamento gay pertence a uma autoproclamada minoria, e nós, que não comungamos com tais atos, não podemos ficar reféns de um comportamento que atenta contra o conceito moral e os costumes da maioria da população cristã deste País.” (deputado federal Professor Victório Galli, PSC-MT, 19 de março de 2015)

“Não vemos ninguém dizendo que quer ter um filho homossexual; ao contrário, o sonho dos pais é verem seus filhos constituírem uma família heterossexual.” (deputado federal Pastor Eurico, PSB/PE, 6 de fevereiro de 2013)

E assim, nobre leitor, se você tiver curiosidade (e um estômago forte), pode se arriscar em uma breve busca nos discursos proferidos na Câmara dos Deputados (disponíveis no site da Casa), onde encontrará uma saraivada de outras pérolas como essas, proferidas pelos meus, pelos seus, pelos nossos representantes.

Se tiver ainda mais estômago, por outro lado, pode visitar outra página, intitulada “Quem a homotransfobia matou hoje?” (disponível em https://homofobiamata.wordpress.com/).  Nela, o Grupo Gay da Bahia reúne, entre outras informações, registros dos crimes mais bárbaros cometidos contra LGBT’s. Como, por exemplo, o caso do gay assassinado, esquartejado e cimentado em um apartamento em Diadema (SP), em 2015. Ou do rapaz de 14 anos morto também no ano passado a pedradas e pancadas, em Cariacica (ES), segundo a mãe, por motivação homofóbica. Ou do gay de 16 anos encontrado morto em pleno centro de São Paulo em 2014, desfigurado, sem dentes e com uma lança atravessada na perna.

Nessa toada, o país segue registrando acima de 300 assassinatos de LGBTs por ano. Em 2015, foram 319 mortes violentas em 187 cidades, com vítimas em idades variando entre 13 e 74 anos. A crueldade está associada a boa parte das execuções. Em Pernambuco, um homem gay foi abatido com 60 facadas. Os dados também são do relatório anual do Grupo Gay da Bahia, que traz outra observação não menos preocupante: em apenas um quarto desses homicídios, o autor foi identificado, e menos de 10% das ocorrências resultou em abertura de processo e em punição. Conclusão óbvia do documento: a impunidade estimula novos ataques.

Definitivamente, precisamos falar sobre isso. Em nossas casas, em nossos círculos de amizades, nas redes sociais ou fora delas. Mas jamais pelo viés da desinformação, da deturpação e do deboche de Bolsonaros, Gallis, Euricos e de tantos outros que prestam desserviços diários na persistência de suas declarações, que são quase um incentivo ao ódio, à intolerância e à manutenção das estatísticas acima.

Mais sobre direitos humanos

Mais sobre violência

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!