Política assistencialista versus produção

Carlos Roberto *

Desde que o PT assumiu o governo federal há dez anos, o Brasil começou a andar para trás. Em nome de uma política assistencialista que visa, como ocorre nos sindicatos, à perpetuação no poder por um grupo que controla a máquina administrativa, tanto a presidente Dilma, como seu antecessor Lula, vem acabando com os setores produtivos. Eles não têm a capacidade de enxergar que a geração de empregos e renda depende, primordialmente, do sucesso do setor produtivo.

Em vez de dar condições para que os setores produtivos avancem com regras claras e incentivos efetivos, apenas buscam aumentar a carga tributária gerando uma série de empecilhos aos investidores, sem um projeto de futuro. Veem, de forma enviesada, apenas o presente. No lugar de dar condições para que as pessoas tenham oportunidades, investem apenas no assistencialismo da pior maneira possível. A ajuda financeira a pessoas de baixa renda é bem-vinda, mas deveria ser pontual para resolver problemas específicos em função de uma determinada situação (seca, enchente, quebra na safra agrícola, ente outras situações de exceção) e não se tornar um programa efetivo de longa duração.

O setor produtivo acumula perdas que se traduzem em sérios problemas principalmente na indústria, que sofre concorrência desleal de produtos importados e não consegue ganhar fôlego diante da ausência de uma política para o setor. Semana passada, mais uma vez por meio do voto secreto, a base do governo no Congresso Nacional fez prevalecer o veto da presidente que mantém a multa de 10% do FGTS, depois que a mesma Casa havia aprovado o fim desta taxa, que tanto onera as empresas e havia sido adotada de forma temporária. Ou seja, o que era a solução para uma questão pontual se tornou mais um ônus para quem carrega esse Brasil nas costas.

Afinal, não são esses governantes que estão aí, principalmente a companheirada do PT, que nada entende de produção, que fazem a economia do Brasil girar. Por não serem do ramo, fazem pouco, mal feito e gastam muito. O ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Fernando Pimentel, petista de carteirinha, representa bem isso. Apesar de um currículo recomendável e aparentar ser do bem, está no cargo por ser político. Mas não entende nada de produção. Assim, não tem como gerir de forma satisfatória um setor de tamanha importância para o avanço do país.

O Brasil não é um sindicato e não pode ser administrado como tal. Não dá para ficar esperando que as coisas aconteçam por acaso, que a indústria nacional só reaja porque o governo perdeu o controle cambial e o dólar foi às alturas. O setor produtivo precisa de um planejamento sério e não de lampejos ocasionais que só servem para causar instabilidade e atrapalhar os investimentos no país.

*É deputado federal, presidente da subcomissão de monitoramento das políticas de financiamento dos bancos públicos de fomento, com destaque ao BNDES, e industrial.

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