Pedalando por Barcelona

Cláudio Versiani*

Barcelona é uma cidade milenar, os primeiros vestígios de habitantes na região são de 2.000 a 1.500 a.C.. Segundo a Wikipédia, a cidade teria sido fundada pelos romanos no século I antes de Cristo.

Para um brasileiro, convenhamos que é muita história. E essa história fica para depois. A gente chega a Barcelona, acha que está na Espanha, sabe que aqui é a Catalunha, mas não faz a menor idéia do que seja a tal da Catalunha.

Para começo de conversa, Barcelona não é Espanha, a cidade é precisamente a capital da Catalunha, um país dentro de outro país. Deixa isso pra lá e vamos pedalar.

Em Barcelona é bom de se andar a pé. A cidade é pequena ou pelo menos o que interessa de verdade, os pontos históricos, os lugares bonitos e as atrações turísticas, estão ao alcance de alguns passos. Às vezes, um pouco mais do que alguns passos.

Se não quiser ir a pé, existem o ônibus, o metrô, o tramvia (trem elétrico de superfície) e ainda o trem tradicional para áreas um pouco mais afastadas do centro. Todos eles funcionam muitíssimo bem. Um espanto.

Mas o que vem fazendo a cabeça e os pés dos barcelonenses é a bicicleta. Os catalães adoram os veículos de duas rodas. Vespas, motos e assemelhados são os veículos mais comuns ou parecem ser. Impressionante a quantidade que se vê pelas avenidas, ruas e ruelas de Barcelona. Bater perna pela cidade pode ser relaxado, mas não muito, tem que se ficar de olho nas bicicletas que estão por toda parte, literalmente. A cidade tem 128 km de ciclovias numa área de 75 quilômetros quadrados. Até o fim deste ano mais 28 km estarão implantados.

 

Em 2007 a prefeitura lançou o serviço “Bicing”, administrado pela multinacional Clear Channel, como alternativa ou complemento ao transporte público. É uma idéia simples, mas de difícil execução e de manutenção mais complicada ainda.

O cidadão paga 24 euros por ano e tem 6 mil bicicletas à sua disposição, espalhadas em 400 pontos pela cidade. Genial não é? Sem dúvida. Só tem um problema, o programa virou uma febre e o sucesso ameaçou e ainda ameaça o Bicing de Barcelona. A tarifa anual que era de 6 euros em 2007 passou para os 24 euros em 2008 exatamente para frear a adesão ao programa. Quase um beco sem saída e o que não falta em Barcelona são becos.

Em 2007, a expectativa era que o número de usuários chegasse a 150 mil em três anos. Em julho de 2008, o número bateu em 155 mil. Este número cresce numa média de 9 mil novos bicicletistas por mês.

Depois de um ano e sete meses de existência, já são mais 180 mil usuários cadastrados e nem sempre as bicicletas estão disponíveis. De vez em quando há que se esperar um pouco para que alguém devolva uma. O tempo máximo permitido de uso é de 30 minutos. Multa de 30 centavos por cada meia hora excedida. O sistema tolera o uso de até duas horas com multa de três euros por cada hora a mais. E uma multa de 150 euros se o veículo não for devolvido em um prazo de 24 horas.

Para se usar a bicicleta mais de uma vez por dia, há que se esperar dez minutos entre devolver uma e pegar a outra.

O Bicing é transporte público, se você quiser passear por Barcelona, melhor alugar uma bicicleta nos serviços comerciais ou comprar a própria.

Bicicleta em Barcelona é uma praga. Uma praga salutar. O Bicing reduziu em 4% o uso de carros particulares pelas ruas da cidade, evitou a emissão de toneladas de gás carbônico no ar da capital da Catalunha e ainda fez com que as pessoas levassem uma vida mais saudável.

Genial, não é? Barcelona é uma cidade plana ou quase toda plana. Lembrou de Brasília? Eu me lembrei.

Se alguma autoridade aí do DF se interessar em saber um pouco mais, o website do Bicing é http://www.bicing.com

Vou ali pedalar um pouco e volto já, em 30 minutos.

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