Os apresentados – execração pública de suspeitos hoje e na medieval Rothenburg

Passados alguns minutos, quando as luzes dos holofotes e os "flashes" dos fotógrafos começam a diminuir, retornam ao palco os agentes da lei, para conduzir o "apresentado" à sua cela.

Sou inimigo ferrenho da impunidade. Porém, não menos de qualquer desrespeito à dignidade dos presos. Afinal, o que os aviltar nos aviltará.

Revolta-me, em especial, a covardia do Estado: nunca vi, por exemplo, algum poderoso acusado de corrupção sendo "apresentado". Não, esta é uma pena exclusiva de suspeitos de menor quilate.

O curioso é que não se toma praticamente atitude alguma contra essas sessões de humilhação pública! Não há notícia de campanhas, manifestações, protestos ou seja lá o que for. Pois é. Fiquei a pensar em Friedenberg, quando exclamava que "as pessoas não só aceitam a violência quando perpetrada pela autoridade legítima, como aceitam como legítima a violência contra certas espécies de pessoas, não importa quem a cometa".

 

<< Mais do autor: O pecado mortal – a inviolabilidade do lar e a pobreza como pior dos crimes

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!