Obama e a conjuntura de novembro

Pacote de estímulo econômico no valor de US$ 787 bi. Reforma do setor da saúde (a maior em 50 anos), cobrindo 32 milhões de não-segurados. Nova e drástica regulamentação do sistema financeiro (a maior em 80 anos!).

Ninguém pode acusar o presidente Barack Obama de não ‘entregar’ as grandes mudanças que prometera nos palanques de campanha, em 2008.

Seu problema é a economia, que está demorando muito para reaquecer, e a taxa de desemprego, que continua empacada em dois dígitos.

Isso acabou ferindo gravemente a sua popularidade, e, hoje, só 40% aprovam seu desempenho econômico, segundo pesquisa CBS News. Conforme a mesma sondagem, cerca de dois terços afirmam que as políticas da administração Obama não tiveram efeito algum nas suas vidas.

Essa fragilidade econômica incentivou uma oposição agressiva tanto no Capitólio quanto nas ruas (movimento tea party. Para um breve histórico, veja-se o meu artigo “O diabólico santinho eletrônico”, nesta mesma coluna).

Assim, não foi possível a Obama cumprir a parte ‘política’ da sua agenda de mudanças, que se traduzia em contornar o abismo ideológico entre Democratas e Republicanos pela via do pragmatismo.

Já de sua lista de ambiciosas promessas substantivas, ficou faltando realizar ‘apenas’ uma: a nova lei de energia e controle climático. E, ao que tudo indica, não haverá tempo de aprovar esse projeto até as eleições congressuais de novembro próximo. Passado o pleito, a dificuldade deverá ser ainda maior, com o provável crescimento da oposição republicana na Câmara dos Representantes e no Senado. (O próprio porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, já admitiu, em público, que a oposição poderia retomar a maioria na Câmara.)

Depois da eleição, uma disjuntiva confrontará Obama, a saber: ou o impasse (gridlock) Executivo/Legislativo, ou muita, mas muita negociação, mesmo, com o que vier a sobrar da bancada moderada do GOP (Grand Old Party, o orgulhoso apelido que os Republicanos  se atribuem), em torno de objetivos bem mais modestos que os que o presidente logrou alcançar nos primeiros dois anos de mandato.

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