O STF não absolveu Lula, mas sim uma ideia de nação

Ao reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro nos julgamentos do presidente Lula, o Supremo Tribunal Federal (STF) devolveu aos brasileiros o direito de acreditar na Justiça.

Os flagrantes abusos de Moro e da Lava Jato, longamente naturalizados pela grande mídia e parte das instituições, vinham cristalizando a noção de que “julgamento justo” era um luxo — e que o acesso a ele dependia do lado em que estivesse o réu.

A conclusão do julgamento sobre a parcialidade do Moro, na última terça-feira (23), inocenta não apenas um homem, mas nos recoloca nos trilhos rumo a um país onde “juiz imparcial” seja um pleonasmo.

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Furando a bolha

O livre arbítrio

O vasto rol de irregularidades praticadas por Moro e seus sócios na Lava Jato começou a ser trazido à luz em 9 de junho de 2019, quando foi publicada a primeira reportagem da chamada Vaza Jato pelo site The Intercept Brasil. A divulgação das conversas –indevidas e ilegais — entre Moro e seus sócios da Lava Jato comprovava a farsa reiteradamente denunciada pelo PT e pela esquerda: por motivos alheios à Justiça, Moro não julgou Lula, mas operou para cassar os direitos políticos de um opositor.

Ao usar a magistratura contra Lula, porém, Moro atingiu a todos nós, brasileiros e brasileiras, solapando ainda mais a confiança na Justiça.

Historicamente, o judiciário brasileiro é alvo de críticas por sua lentidão, por ser quase inacessível aos pobres, por ter entre seus quadros tantos portadores dos preconceitos que grassam entre os privilegiados.

Mas era inédito que o cargo de juiz tivesse sido usado para definir o resultado de uma eleição de maneira tão descarada como fez Moro, que corrompeu a Justiça sob o pretexto de combater a corrupção.

Como já manifestei em artigo aqui no Congresso em Foco, defendo com sinceridade e empenho o combate aos desvios éticos. Mas o combate à corrupção é importante demais para ser rebaixado a mero instrumento político.

A decisão do STF nos resgata, pelo menos, um pouco da dignidade da Justiça. Infelizmente, não será capaz de nos devolver os 300 mil mortos — vítimas de desgoverno, tanto quanto de covid. Não nos devolverá as centenas de bilhões em investimentos e os milhões de empregos perdidos nas empresas quebradas pela Lava Jato.

Nós havemos de reconstruir o Brasil. Tenho confiança de que retomaremos o rumo da felicidade, do bem estar e da prosperidade.

Neste caminho, que estejamos todos alertas para que nunca mais a toga sirva de escudo aos inimigos do Estado de Direito.

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