O retrocesso do Código Florestal

Emanuel Medeiros Vieira*

“Quando você perceber que para produzir precisa obter autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício,então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

(Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand, pronunciada em 1920)

A reforma do Código Florestal poderá ser aprovada.

Será mais um retrocesso.

Será o triunfo  da barbárie contra a civilização.

Como observou alguém, o novo código é a vitória do interesse dos grandes produtores e pecuaristas.

“Gostaria de ver o código sem anistiar os desmatadores  que têm acabado com as florestas do país”, disse a senadora Marinor Brito (Psol-PA).

Há poucos dias, a Praça dos Três Poderes, em Brasília (“A praça  é do povo como o céu é do condor”, cantava Castro Alves), foi palco de manifestação de movimentos contrários ao texto do Código Florestal.

Um balão do Greenpeace ostentava a frase: “Senado, desliga essa motosserra”.

É preciso disseminar a ideia verdadeira de que o Código que os latifundiários e seus cúmplices querem aprovar não atende à sociedade, mas apenas aos ruralistas.

“O governo cedeu à chantagem dos ruralistas”, afirmou Mário Mantovani, diretor da ONG Mata Atlântica.

A ex-ministra Marina Silva cobrou da presidente Dilma  suas promessas de campanha.
Após o primeiro turno, ela  recebeu apoio de ambientalistas e lideranças do PV e, em contrapartida, apresentou um programa para a área ambiental em que prometeu “vetar iniciativas que impliquem anistia a desmatadores ou redução da reserva legal e preservação permanente”.

Sendo aprovado esse mostrengo, que a presidente cumpra a sua promessa: vete o projeto.

Em nome da chamada governabilidade “lavará as mãos”?  Esperamos que não – mas com temor no coração.

Pode parecer romântico em tempos tão cínicos e pós-utópicos, mas ainda (e sempre) acreditarei que PALAVRA EMPENHADA É PARA SER CUMPRIDA.

*Poeta, romancista e contista, nasceu em Florianópolis (SC) em 1945. Participa de diversas antologias de contos. Estreou com A Expiação de Jeruza, em 1972. Tem romances e contos editados, como Os hippies envelhecidos

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