O Planalto está mais preocupado com votos do que com vidas; a tarefa parlamentar é fiscalizar

A intervenção militar no Rio está decretada e em curso. Até aqui, mais do mesmo: “enxugar gelo”, ações pontuais de pouca duração e profundidade. Nada de estrutural, nenhum sinal da imprescindível intervenção social.

Cabe à sociedade fiscalizar. Compete também aos parlamentares acompanhar de perto. Por mais que o conceito de militarização se oponha, por tradição, à transparência e ao controle social, estes são princípios republicanos dos quais não podemos abrir mão.

Os mandados de busca e apreensão coletivos são ofensa aos direitos constitucionais e aval ao “pé na porta”. Aprovados, só serão aplicados, como sempre, nos bairros pobres, desassistidos pelo Poder Público.

Temer consulta dia sim dia não institutos de pesquisa, para ver se seus índices de popularidade subiram. Comemora ter 4,5% de aceitação e já cogita se candidatar à presidência... “A vela está sendo esticada e começou a bater um ventinho. Se der certo, até o vampirão da Tuiuti pode virar um atributo positivo”, delira seu marqueteiro, Elsinho Mouco.

Com o discurso do combate ao crime organizado, o governo espera que as investigações dos crimes dos quais seus integrantes são acusados – a começar por Temer – sejam esquecidas. O novo risco da coalizão de investigados no poder central é a descoberta de tentativa de obstrução à Justiça, com a bisbilhotice no inquérito sigiloso do MP/PF/STF sobre negociatas no Porto de Santos. Crime de responsabilidade à vista?

O Planalto está muito mais preocupado com votos do que com vidas. A intervenção duradoura e efetiva é a da população consciente, para quebrar o poder do crime, inclusive o oficial.

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