O pacote de maldades do PT

Carlos Roberto de Campos*

Ao lançar sua nova política industrial na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff confirma que o PT não é mesmo do ramo. Chamar a colcha de retalhos de pacote de bondades é o mesmo que ignorar a inteligência da população. Sem qualquer planejamento, as medidas anunciadas tendem a naufragar em muito pouco tempo. E é muito fácil explicar. O PT chegou e tenta se perpetuar no poder à base de uma série de direitos que se propagam como se não houvesse mais nada.

Entretanto, a vida é feita de direitos e deveres. Existem obrigações que são deixadas de lado por esse governo que está aí que acabam por penalizar toda a nação. É impossível ficar anos e mais anos só fazendo concessões. Alguém tem que pagar a conta. E esse alguém é justamente o setor produtivo, responsável por girar esta potência chamada Brasil. Agora, vendo que a situação está se tornando insustentável, o governo tenta – sem saber como – adotar umas medidazinhas paliativas que não resolvem os verdadeiros problemas no país. O PT faz o que sabe fazer: empurrar com a barriga aquilo que não consegue apresentar solução.

No discurso de terça-feira (2), Dilma deu um verdadeiro atestado de incompetência ao afirmar que estabeleceu  uma série de medidas que serão testadas. Ora, um governo que se preza não pode fazer testes com o setor produtivo. Antes de implantar qualquer coisa, é fundamental um amplo estudo de causas e consequências. Sem isso, são chutes no vazio. Pode dar certo como pode dar errado. E se o país naufragar, quem paga a conta é a indústria nacional, já sacrificada por uma série de impropérios administrativos, que passam pela desvalorização do dólar, alta carga tributária, infraestrutura capenga que impacta o custo de produção e um Estado perdulário que sobrecarrega todo o resto da economia.

O PT não entende que a crise que afeta a indústria nacional passa diretamente pela alta eficiência de nosso maior concorrente, a China, que importa commodities brasileiras a uma média de trinta centavos de dólar a tonelada e depois exporta para cá um mix de produtos, que chegam a 32 dólares por tonelada. É impossível conseguir equilibrar a balança comercial com tamanha perda.  O erro do governo brasileiro está na definição dos conceitos de importação e exportação. Enquanto isso persistir, esse pacote de bondades não passa de mais uma falácia patrocinada pela companheirada, que está fazendo a indústria nacional ser engolida dia após dia.

*Empresário, deputado federal e presidente do Diretório Municipal do PSDB de Guarulhos

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