O idoso e a família

Vitor Paulo*

“Conheço um velho ditado, que é do tempo da zagaia/Diz que um pai trata dez filhos, mas dez filhos não tratam um pai”. A letra desta canção, da dupla Tião Carreiro e Pardinho, traz na sua essência pelo menos duas lições da sabedoria popular: o valor inestimável e o legado deixado pelos mais velhos.

Mesmo assim, os idosos continuam sendo submetidos à violência. E não somente no sentido físico, mas muito mais amplo, como o abandono, o menosprezo, a falta de atenção e carinho fazendo com que percam valores essenciais e necessários para uma vida digna e uma convivência harmoniosa e saudável. Infelizmente, tais atitudes têm sido passadas, assimiladas e repetidas por várias gerações, instituindo assim um ciclo vicioso, difícil de ser quebrado.

Nesse sentido, é indispensável e urgente quebrar esses círculos para que todos tomem consciência da grandiosa responsabilidade que temos para com nossos idosos. Refiro-me a mudanças comportamentais e culturais, fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, acolhedora, madura, tolerante e consciente.

Uma das expressões mais significativas do grau de desenvolvimento de um povo é o respeito para com os idosos, e a família exerce papel efetivo para que se cumpra o verdadeiro resgate da pessoa idosa. Tais ações devem proceder, sobretudo, por serem justas, por reconhecer nos idosos o valor do que fizeram e do que ainda poderão realizar. Afinal, são detentores do saber e da experiência, que só vamos adquirir com o passar do tempo, com a chegada da velhice.

Acredito que as discussões com relação à situação social da pessoa idosa no Brasil não estão esgotadas e precisam ser aprofundadas, principalmente as relações no seio familiar e na sociedade e, somente assim, compreenderemos que não basta almejar vida longa, mas a melhor qualidade para este viver.

*Deputado federal pelo PRB/RJ

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