O deputado que não representa ninguém

Um tema que ganhou as manchetes dos principais noticiários esta semana foi o bate-boca protagonizado por dois deputados federais. E que acabou por desviar a atenção de todos para uma questão muito mais importante.

A história ficou famosa nas redes sociais e vem acontecendo não é de hoje. O deputado federal Jair Bolsonaro, numa triste provocação contra a também deputada Maria do Rosário, questionou declarações da parlamentar nas quais ela defendia a Comissão Nacional da Verdade e a investigação de crimes cometidos por militares no período da ditadura.

Não cabe aqui reproduzir os insultos do deputado à sua colega. São fáceis de encontrar na internet (se quiser, clique aqui) e inclusive já está sendo alvo de representações dentro do Congresso e até fora dele.

A questão que gostaríamos de comentar é mais complexa e tem a ver com o baixo nível do debate nacional, e que inclui até mesmo a Comissão Nacional da Verdade. Primeiro, cabe esclarecer que o comportamento do deputado acaba por reforçar o grave desentendimento que temos do que seja uma verdadeira posição política de direita e quais são os seus valores.

Não temos um deputado "de direita", como até grande parte da mídia se refere. Temos, tão simplesmente, um político oportunista e de pouco apreço por questões relevantes como direitos humanos e liberdades individuais. Nos países onde a cultura de cidadania é mais evoluída, a direita se pauta por valores conservadores, como a valorização da família e das instituições, a garantia da propriedade, o incentivo à meritocracia, à liberdade de expressão e de iniciativa, à economia de mercado, e por aí vai.

Em nosso atual espectro político poucos são os indivíduos ou partidos realmente identificados com esses valores, e isso é bastante preocupante. Temos um concerto de uma nota só no imaginário social, onde somente a esquerda está preocupada com as questões sociais e de direitos humanos.

No que se refere à Comissão Nacional da Verdade, óbvio que não se trata de defender crimes de tortura e outras violações de direitos humanos. Mas nos debruçarmos apenas sobre crimes cometidos por militares, sem investigar o que aconteceu pelo lado das organizações da esquerda armada e de simples terroristas, é apenas contar uma parte de uma história que não acabou até hoje. Ou seja, é querer fazer com que a sua história prevaleça, e não a verdade completa dos fatos. Aí, sim, poderemos compreender o Brasil dos últimos 50 anos e aprender com os erros passados.

Qualquer coisa fora disso é permitir que um comportamento puramente ideológico nos faça perder a oportunidade de mostrar à sociedade as verdadeiras consequências de um regime de exceção. E não só isso, mas também deixamos de fortalecer e valorizar instituições típicas de Estado, sejam elas de segurança, de justiça ou mesmo de controle e gestão.

Sobre esse tema, recomendamos o comentário em vídeo do pensador cristão e conservador brasileiro, Nivaldo Cordeiro, disponível neste link.

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