O Brasil que nós queremos para os nossos filhos

Luiz Alberto Ferla *

O filósofo francês Luc Ferry, em seu livro “Famílias, amo vocês”, afirma que, “a verdadeira meta da existência para a maioria das pessoas – o que dá sentido, sabor e valor à vida – situa-se basicamente na vida privada. E essa evolução só se torna compreensível quando colocada em perspectiva no interior de uma história, a da família moderna. A família, de modo algum, é um tema exclusivo da direita, como tantas vezes se repetiu, de maneira impensada e mecânica, mas, pelo contrário, é o mais belo apanágio da aventura democrática”. Ainda, segundo ele, “não há nada mais democrático e moderno do que o tema família”.

Esta afirmação é muito oportuna para analisarmos melhor o momento político atual. Infelizmente, no primeiro turno da eleição presidencial deste ano faltaram propostas que evidenciassem uma visão clara e objetivado Brasil que nós queremos.Não se discutiu propostas e ações que garantam um futuro melhor para as famílias brasileiras, muito além das frágeis políticas públicas compensatórias de transferência de renda, atualmente implementadas, como o bolsa família.

Nos últimos 20 anos, o país obteve grandes avanços nos campos econômico e social, passando pela abertura comercial e pela a estabilidade econômica, resultando na ascensão de mais de 30 milhões de brasileiros acima da linha de pobreza.Deixamos de ser um país subdesenvolvido, para ser um país de renda média. Para entendermos melhor os anseios das famílias brasileiras, é necessário entendermos essas novas prioridades e quais são os novos desafios que o país deve enfrentar para atendê-las.

Nos últimos anos, o desenvolvimento econômico do país foi impulsionado por fatores internos e externos que possibilitaram um aumento do consumo das famílias e dos investimentos públicos e privados, e uma melhoria da qualidade de vida para uma parte significativa da população. Entretanto, há evidências que a partir de agora esses fatores não serão mais capazes de impulsionar o desenvolvimento do país,pois a retração nas vendas de produtos de consumo duráveis, particularmente de automóveis e eletroeletrônicos, evidencia que este modelo está no seu limite e não tem sustentabilidade a médio e longo prazos.

Temos que criar um sonho para as famílias brasileiras, que envolvade forma colaborativagovernos, empresários, acadêmicos, ONGs e, acima de tudo, os próprios cidadãos brasileiros. Este sonho não deve ter como objetivo simplesmente definir políticas públicas compensatórias de transferência de renda ou metas de curto prazo para os próximos governantes. Temos que fazer escolhas entre um “País de Necessitados”, ancorados por essas políticas públicas, e um “País de Empreendedores”, baseado na educação, no conhecimento e na inovação.

O conceito de cidadania vai muito além do votodecada brasileiro, envolve também a nossa participação na definição desta visão, que é uma forma de nos transformarem protagonistas para a viabilização desse sonho.

Apesar de ser um enorme desafio, é possível realizar este sonho, que contemple as dimensões ambiental, econômica, institucional e social, com um modelo de crescimento inclusivo, que nos permita alcançar um cenário de real prosperidade para as famílias brasileiras, posicionando o Brasil no grupo de países desenvolvidos num futuro próximo.

Enfim, para devolvermos a todos os cidadãos brasileiros o direito de sonhar, temos que garantir uma série de mudanças nos próximos quatro anos: mudança na prosperidade das famílias,por meio de um modelo de crescimento inclusivo e sustentável, na educação, para garantirmos que todas as crianças e adolescentes tenham o direito de sonhar com um futuro melhor, na saúde, para garantirmos um atendimento de qualidade para todas as famílias e, na segurança pública,para eliminarmos definitivamente a violência epidêmicaque assola hoje o país.

Este é o sonho que a família brasileira espera que o futuro governo transforme em realidade e que o setor empresarial tem como expectativa, para poder produzir em um ambiente que seja favorável e seguro aos negócios.

* Empresário, preside o DOT Digital Group.

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