Novas bachianas brasileiras

Marcia Denser

Mas nem tudo é sombra e consciência infeliz porque, afinal de contas, o Brasil continua produzindo grandes momentos iluminados, a gente não precisa ficar por baixo até porque já se decidiu que quem fica por cima de tudo e o tempo todo é a elite mesmo e acabou-se, ela fica digamos por cima das terras, que no Brasil são também motivo de orgulho (aliás, tanto as terras como a elite combinam, lé com lê, cré com cré, ambas são belas, exóticas, finas e chiques e de frente para o mar, politicamente corretas logo contrárias ao protocolo de Kyoto e a favor de qualquer coisa que venha de Washington, ALCA, OMC, NAFTA, porque o cidadão tem mesmo é que se foder) posto que  vastíssimas e alheias, mas como já têm dono, pertencem à elite, e é assim que tem de ser porque, se o brasileiro já não sabe votar, imagine se saberia administrar 8,5 milhões de quilômetros de terras alheias vastíssimas e quase todas de frente para o mar, mas não, então ele (o brasileiro) vai e invade e pronto, assim, hediondamente.

Que a coisa virou mesmo crime hediondo, ao menos esse governo petista e fajuta fez alguma coisa boa, justa, líquida e certa ao confirmar os latifundiários nas suas (them? theirs?) vastíssimas e exóticas e lindas terras de frente para o mar, conseqüentemente botando o hediondo pessoal do MST no seu (their? them?) lugar que, aliás, sem dúvida alguma deve ser hediondo o bastante para fiquem longe, o mais possível das vastas terras alheias e latifundiárias conforme houve por bem decidir a vontade do povo que é soberana quando se vive numa democracia plena, boa, justa, líquida e certa. E, falando em líquido e certo, não esqueçamos os senhores banqueiros, que esses também ficam por cima, tomando conta do nosso dinheiro, e todos de frente para o mar.

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