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Nossos Paddocks – o cotidiano das chacinas brasileiras

 

Esta intensa cobertura ensejou, de um meu conhecido, um interessante comentário: "Ainda bem que não temos este tipo de coisa aqui no Brasil". Fiquei a meditar sobre suas palavras, e decidi realizar uma pequena pesquisa.

Descobri, sem grandes dificuldades, que em 2016 foram abatidas a tiros nada menos que 123 pessoas por dia sobre o solo deste tão pacífico Brasil – que "felizmente não tem este tipo de coisa".

É realmente curioso: o fato de aqui no Brasil matarmos três vezes mais gente a tiros praticamente não é notícia, ressalvadas algumas publicações isoladas – a maior parte delas em seguida à divulgação de estudos sobre o tema ou homicídios praticados contra pessoas emblemáticas. Um quadro desses, que deveria ser enfrentado energicamente, induzindo manifestações duras, investigações extensas e medidas extraordinárias, praticamente não é sequer objeto de debate! Aqui, o absurdo viu rotina.

Como explicar-se isso? Deve ser porque lá nos EUA mataram pessoas como nós – e aqui as vítimas, no mais das vezes, são "apenas" os miseráveis das periferias distantes, nas quais o Estado não entra. Longe dos olhos, longe do coração!

 

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