Nossos guias, o Brasil precisa de vocês

Mais um artigo colaborativo. Agora com os amigos Rodrigo Bandeira, idealizador do Cidade Democrática e Ricardo Poppi, animador do movimento Transparência Hacker no Brasil. De novo, uma inspiração a partir da CICI.

Compartilhar

Compartilhar problemas é entendê-los de múltiplos pontos de vistas, entendendo e enxergando de um jeito inalcançável para o simples olho individual. O coletivo enxerga à distância, espaço e temporalmente. Compartilhar os problemas das cidades é o único processo que os torna genuinamente público e, por isso, é ao mesmo tempo o compartilhamento das soluções. A expressão dos pontos de vistas particulares e o espaço para que essas opiniões sejam ouvidas e levadas em conta cria a arquitetura social de participação. O coletivo resolve de forma mais eficiente e cria bases para governança local e regional. Compartilhar soluções é atuar colaborativamente. É sobretudo admitir que outras comunidades atuarão paralelamente - não há apenas um jeito, uma resposta possíveis. Esse compartilhamento, de problemas e da construção de suas soluções é a reciclagem do espaço público, é sua democratização.

Novovelho

O que realmente queremos dizer quando pensamos em "novas soluções" ou "novas ferramentas"? Não basta que nossas velhas administrações mudem de roupa - que façam "e-156", que criem sites bonitos ou que invistam em ações diferentes, como divulgar um número de celular do prefeito ou dos secretários. Tudo isso, meus caros, não é inovação. É apenas um jeito melhor de fazer o maisdomesmo. Nesses espaços, o poder público é um espaço outro, de outros, no qual depositamos nossos problemas e deixamos para alguém - quem, afinal?! - o papel de resolvê-los. Quando o prefeito não quiser ou não puder atender, ele não o fará. Quando os administradores não prestarem atenção a determinado problema do 156 ele não será resolvido e ponto final, um-ponto-zero.

Novas ágoras

A essa política de mecanismos formais, que podemos chamar de Política 1.0, segue a mesma linha do que foi a web em seu início: conteúdos estáticos, administradores centralizados, pouco aproveitamento da inteligência coletiva. Antes de falar da nova política, vamos alertar os senhores administradores e políticos presentes na #2010cici que não adianta apenas digitalizar o velho. Vai continuar não funcionando.

E mais: não adianta "repaginar" as instituições governamentais ou os partidos porque eles, simplesmente, são chatos. Ninguém quer acompanhar uma sessão legislativa ou uma audiência com suas características e formalidades antiquadas e procedimentos anacrônicos.

O poder público é chato porque qualquer recorte ou formato do tipo "edital" é sempre, para alguém, inadequado. A diversidade e o pluralismo da sociedade é inatingível para o Estado e a #webcidadania é a expressão desta riqueza.

São temas e territórios que se articulam, redes sociais que expressam cada perfil e cada experiência social das pessoas. O mapeamento desta inteligência, ao mesmo tempo em que as ferramentas tornam-se cada vez mais maleáveis, divertidas e leves, unirá inclusão com opinião. É de um novo jeito de opinar que estamos falando. A opinião na web 2.0 será cada vez mais a expressão da experiência social das pessoas - de seus gostos, de seu conhecimento e de sua mobilização. E nesses espaços o poder público vai ter que entrar de mansinho. Ele ainda é aquele amigo chato que ninguém quer convidar. Afinal, como foi dito, ele não consegue sentir nem expressar nossa diversidade de opiniões e, por isso, não pode opinar muito, se não se torna chato outra vez.

Qualquer cidade que quiser sair de Curitiba como inovadora deve levar consigo uma nova forma de conjugar ideias. O nós enxerga melhor e mais longe, o nós é mais legal, inclusivo, e o nós se mobiliza e resolve melhor problemas maiores.#webcidadania #étudonosso!

 

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