Nossa geração e o Brasil do futuro

Há pouco mais de um ano, escrevi o artigo que segue abaixo:

"Eis uma boa notícia para todos aqueles brasileiros que se preocupam com o país que será entregue à geração seguinte: segundo um relatório do Conselho Nacional de Inteligência dos EUA, sobre como estará o planeta em 2025, a economia do Brasil crescerá muito.

Sim, este estudo traz uma boa notícia. Previu-se que dentro de poucos anos nossa economia receberá um vigoroso impulso em função da crescente produção de petróleo, gás natural, biocombustíveis e até de alimentos.

Porém, o que há de mais importante neste relatório é um alerta sério para a nossa geração: se o Brasil não conseguir, a curto prazo, ter instituições mais eficientes e índices de criminalidade menores, toda esta riqueza que está por chegar pouco significará.

A aposta dos norte-americanos é que não conseguiremos. Afirmam que “a competitividade da América Latina continuará inferior à da Ásia”, e que “partes [do continente] continuarão entre as áreas mais violentas do mundo. Organizações criminosas voltadas para o tráfico de drogas e quadrilhas locais continuarão a comprometer a segurança pública”, sendo que “estes fatores, somados à fraqueza do sistema legal”, se traduzirão em países falidos.

Nada mais verdadeiro. Nossa geração está a um passo de ver o crescimento real do Brasil – mas, no entanto, dele está abrindo mão por conta de uma omissão quase criminosa. Esta apatia me traz à memória uma famosa frase de Martin Luther King: “nossa vida começa a acabar quando nos calamos frente às coisas que realmente importam”.

Vergonhosamente, grande tem sido o nosso silêncio! Vivemos em um país embrutecido, no qual são gastos US$ 16 bilhões a cada ano só com a criminalidade, e achamos ingenuamente que “as vítimas é que deram bobeira”. Por conta dos vergonhosos índices de criminalidade perdemos 11% do nosso PIB. E preferimos “mudar de assunto e falar de coisas mais agradáveis”.

Nosso sistema legal está falido e não sabe – apenas 2,5% dos crimes acabam em processo, e somente 1% dos condenados cumprem suas penas até o fim. Mas evitamos falar nisso – preferimos ir linchando os criminosos pelas ruas, na incrível média de quatro por semana. O Brasil perde US$  100 bilhões a cada ano só com a morosidade do Poder Judiciário, mas nossa geração resiste a simplificá-lo – prefere se perder na perfumaria dos formalismos inúteis.

A administração pública vai mal – segundo diversos estudos, somos o país que tem a maior carga de burocracia do mundo! Por conta disso, nossos imóveis são até 425% mais caros, e deixamos de aumentar nosso PIB 2,2% a cada ano. Mas nossa geração já concluiu que "isso é assim mesmo", e prefere ir buscando seus já tradicionais "jeitinhos".

Perdemos outros 5% do nosso PIB com a corrupção. Segundo o IBPT, 32% de todos os impostos pagos no Brasil são desviados por conta desta falta de vergonha. E tudo indica que nossa geração não deixará para a seguinte sequer a proibição de que pessoas que respondam a processos por corrupção possam se candidatar a cargos públicos!

Temos visto a riqueza sorrir como nunca para o nosso país – arrisco dizer que, se não formos omissos, nossos filhos habitarão o Brasil grande com o qual sempre sonhamos. Se falharmos, seja nosso epitáfio a advertência de Martin Luther King: "nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos."

Hoje, com alegria, ao contemplar nosso povo nas ruas, posso dizer que estava errado: o Brasil acordou!

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