Nem todos são iguais

Carlos Roberto *

Ao mesmo tempo em que a maior parte da população brasileira comemora a punição com prisão dos condenados do mensalão, o país convive com uma série de denúncias de atos de corrupção que teriam sido praticados por políticos dos mais diferentes partidos. O PT, que teve seus principais líderes mandados para a cadeia, reage da pior forma possível, seja desqualificando o Supremo Tribunal Federal, instância maior da Justiça brasileira, seja tentando nivelar por baixo os políticos de forma geral, perpetuando a ideia de que todos são iguais.

Não à toa cresce o sentimento entre a população que nenhum político presta, o que pode ser confirmado nas pesquisas de opinião, em que o sentimento de mudança aparece entre mais de 60% dos eleitores, tanto em nível federal como no estadual. Mesmo assim, numa tentativa desesperada, remando contra a maré, a presidente Dilma Rousseff, amparada por Lula, segue em flagrante campanha eleitoral, utilizando-se de todos os recursos públicos possíveis para se eternizar no poder.

Na mesma toada, o PT tenta jogar na lama pessoas de bem, criando – com as bênçãos de Dilma – dossiês para atingir adversários que, de alguma forma, possam ameaçar o plano de poder. Os insanos ataques a políticos paulistas do PSDB, sem provas, demonstram que a presidente não estava de brincadeira quando afirmou que “o PT faria o diabo para vencer as eleições”. Tanto é assim que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi escalado para espalhar denúncias que chegam a beirar o ridículo de tão esvaziadas que nascem.

Por outro lado, apontam que a mídia estaria sendo injusta contra o PT, ao dar grande ênfase ao mensalão, mas – segundo a companheirada – não oferecer o mesmo tratamento quando as denúncias são contra partidos da oposição. Ora, o PT realmente parece que rasgou a própria história, já que só chegou aonde está atirando pedras para todos os lados. Ao se tornar vidraça e adotar as piores práticas de conduta política, o partido reclama por ser alvo de tudo e de todos, como se não houvesse fundamento nas condenações que seus líderes sofreram.

Semana passada, dois assessores diretos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, tiveram de deixar seus cargos, após serem flagrados em mais um escândalo de corrupção que cerca o governo do PT. Ou seja, os casos de malfeitos no entorno de Dilma não param de pipocar a partir de evidências. E os aliados do governo, inconformados com as prisões de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, querem desqualificar qualquer voz que se levante contra a companheirada. A tentativa do PT de se passar por um partido perseguido pelos poderosos é só mais uma falácia de quem não quer largar o poder.

Diante de tudo a que se assiste, é necessário – mais do que nunca – que as pessoas de bem percebam  que existem grandes diferenças de comportamento e de atitude entre aqueles que governam o Brasil e aqueles que se apresentam com o claro objetivo de recolocar o país na rota do desenvolvimento. Há que se destacar a necessidade de abrir espaço para o Brasil das oportunidades, que nada tem a ver com esse Brasil de oportunistas no poder. Fazer parecer que todos são iguais só interessa a quem quer que tudo permaneça como está.

*Carlos Roberto é deputado federal, presidente da subcomissão de monitoramento das políticas de financiamento dos bancos públicos de fomento, com destaque ao BNDES, e industrial.

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