Não há o que se comemorar com a economia real de Bolsonaro

Em sua conta no Twitter, na última sexta-feira, o presidente Bolsonaro publicou uma comparação de índices do seu governo e do governo Dilma.

Inflação no governo Dilma, 10,67%, no de Bolsonaro, 3%; juros com Dilma, 14%, com Bolsonaro, 5%; índice da Bolsa no governo Dilma, 38 mil, no governo de Bolsonaro, 108 mil pontos; risco-país sob Dilma, 533 pontos, sob Bolsonaro, 117; PIB de Dilma, -3,8%, de Bolsonaro, 0,8%.

O que poucos comentam dessa comparação é que, tirando o índice do PIB, todos os outros são expressões do mercado financeiro e que, portanto, não há números a comemorar na economia real.

A queda do desemprego é tímida e fruto do crescimento da informalidade. A indústria e o setor de serviços tiveram resultados negativos históricos no primeiro semestre. A desigualdade nunca foi tão grande.

É claro que há uma desconexão do mercado financeiro com a economia real, num fenômeno que alguns economistas chamam de deslocamento da realidade econômica e que tem feito o ex-ministro Bresser alertar para o risco da doença holandesa.

Prefiro esperar para comemorar resultados na redução do desemprego, da desigualdade e da retomada dos setores produtivos nacionais.

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