Mercosul: integração ou morte?

George Hilton*

Pensar o Mercosul é imaginar um corpo integrado, dinâmico e coeso. Palavras fáceis de falar, porém difíceis de implementar no Estado, na administração pública e na sociedade. São crescentes as dificuldades para a manutenção deste bloco regional, que demanda políticas públicas transnacionais. Mas, quando interesses singulares se sobrepõem às demandas e objetivos do grupo, dá-se o impasse.

O que deve ser priorizado neste momento é a manutenção das alianças e o fortalecimento do bloco nos aspectos comerciais e econômicos, assim como no espectro político-cultural. Somos irmãos ibéricos de mães diferentes, que mantém a fraternidade apesar dos percalços e agonias em prol de alcançar nossas intenções conjuntas e realizações voltadas aos objetivos comuns. Recentemente, a Venezuela foi incorporada ao bloco. A Bolívia e o Equador também demonstram interesse em ingressar, isso demonstra que a América do Sul está sedenta de uma integração efetiva.

Em entrevista divulgada recentemente, um ex-presidente do Banco Central do Brasil disse que o Mercosul está morto e esperando a missa de 7º dia. Disse isso em face a um antigo problema que tem se repetido nas relações comerciais do bloco: as barreiras comerciais. Por isso, quero repetir e enfatizar o que disse anteriormente: as facilidades comerciais aduaneiras privilegiam os associados em relação à concorrência. E quando falamos em concorrência, podemos citar a União Europeia, a recém formada Aliança do Pacífico, entre outras.

O mercado internacional apresenta, cada vez mais, alternativas ao Mercosul, como o acordo transpacífico, onde um grupo de vários países liderado pelos Estados Unidos, no qual também se encontram Chile, México e Peru, também se estende para a Oceania e o Japão, tem a intenção de se expandir para a Comunidade Europeia.

Para agravar ainda mais a situação, a esperada reunião do Parlasul, que aconteceria em Montevidéu, no dia 11 de novembro, foi cancelada. O Mercosul não está morto, mas não sobreviverá com essas barreiras que impedem o livre comércio e a falta de diálogo entre os países.

Que mensagem essas ações e intenções apresentam? Quais os rumos que o Mercosul deve tomar? Ou fortalecemos nosso bloco e resolvemos os imbróglios existentes ou, realmente, poderemos nos acostumar com a ideia de que o Mercosul está se encaminhando para o sepulcro.

* George Hilton é deputado federal e líder do PRB na Câmara dos Deputados

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