Locais de trabalho que parecem campos de guerra

Fica assegurado aos trabalhadores de uma grande empresa transnacional o direito de… ir ao banheiro! E acredite: o de beber água também. Foi o que decidiu, há não muito tempo, o Poder Judiciário da Austrália. Parece incrível, mas foi necessário um processo judicial para dizer que o “intervalo concedido” - e que não estaria sendo observado, aliás - de dez minutos a cada quatro horas não era compatível com a fisiologia do ser humano.

Em Moçambique uma outra poderosa empresa transnacional foi chamada às falas pelo sistema legal por repreender trabalhadores com açoites de vara. Observo que esta prática foi devidamente filmada por um dos funcionários da empresa - plenamente comprovada, pois.
Na China foi-se além: os trabalhadores com baixo desempenho foram expostos em um palco e surrados diante dos colegas - que igualmente tudo registraram em vídeo. Que não se pense ter isto ocorrido na sede de um negócio clandestino qualquer - estamos a falar de um poderoso banco.
No México o problema foi uma greve no setor de educação. Aos professores e servidores que insistiram em continuar a trabalhar reservou-se uma sessão pública de humilhações que incluiu cortar-lhes os cabelos - sim, deixá-los carecas! Também este episódio foi provado com filmagens. No Reino Unido socorristas a poucas centenas de metros de um ser humano vítima de ataque cardíaco se recusaram a atendê-lo por estarem “no gozo de intervalo”, malgrado saberem que a ambulância mais próxima estava a uns 25 km de distância. A vítima do infarto morreu.Na Rússia uma grande empresa ofereceu um bônus às funcionárias que fossem trabalhar com saias bastante curtas. No Japão, 11,1% das empresas exigem das mulheres que trabalhem de salto alto. Diversas proíbem que usem óculos.

O episódio seguinte vem da tão civilizada Suíça. Um dos maiores e mais respeitáveis conglomerados financeiros daquele país definiu que suas funcionárias deveriam utilizar roupas íntimas de cor vermelha, que contrastem com as blusas brancas do uniforme.

Finalizo em Israel, país notadamente religioso, onde uma empresa aérea estabeleceu que as comissárias deveriam usar saltos altos até o momento da decolagem da aeronave.

É estranho. Os milênios vão se passando e a humanidade ainda insiste em transformar locais de trabalho em campos de guerra!

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