Lobo Mau contra o Natal

Fábio Flora *

O bonde do João Luiz parece não ter freio. Mais conhecido na Vila Operária dos Três Porquinhos como Lobão, o sujeito agora deu de agendar passeata na Paulista toda semana. Dizem as boas línguas que o muso das vovozinhas paulistanas adorou esse negócio de subir no trio elétrico e – num oferecimento da Sociedade Protetora dos Tucanos – discursar sobre ornitologia para quinhentas pessoas. Há milênios um “show” dele não juntava tanta gente.

Mas se engana quem acha que o mais recente rolezinho gourmet sob o Masp – que acontecerá no próximo dia 25 – terá outra vez como tema o fora-Dilma ou o fora-PT. A coisa é muito mais séria dessa vez. De abalar as estruturas do capitalismo selvagem. O motivo da nova manifestação é o impeachment imediato do Papai Noel. Você não leu errado: querem tirar o Bom Velhinho de seu cargo eterno-perpétuo-forever-and-ever.

Os lobistas da bancada da moda defendem o golpe com a justificativa de que enjoaram do vermelho. Os da ala autointitulada mais moderada apelam para o argumento da alternância de poder; reclamam que o Seu Claus manda e desmanda na distribuição mundial de brinquedos desde o tempo em que a criançada se contentava com um pião de madeira sem wi-fi. Já a turma dos direitos humanos, animais e élficos – embasada em relatório da ONG Noite Feliz para Todos – exige o fim do trabalho escravo de renas e duendes.

Os mais extremistas, por sua vez, temem que, não satisfeito com todo o poder que carrega naquele saco, Noel ainda exija do governo uma boa colocação na futura diretoria da Petrobras e assim – com o auxílio de alguns petrodólares – amplie seus programas sociais, como o bem-sucedido Bolsa-Lembrancinha, que tem feito a alegria de milhões de meninos e meninas carentes mundo afora.

“Não tem que sair por aí dando presentes; tem que ensinar a garotada a comprá-los nas lojas mais caras do ramo”, explica o velho Lobo (que não é o Zagallo).

Diante dessa ceia afarturada de sandices, resta àqueles que ainda acreditam no espírito natalino protestar – jinglebelicamente se necessário – contra as atitudes do Seu João Luiz e de sua alcateia clausfóbica. Como? Montando árvore na sala, pendurando meias e pisca-piscas nas janelas, botando guirlanda na porta. Vale também continuar enviando cartinhas, e-mails, torpedos e afins para o Polo Norte. Não é bom deixar que o carteiro deslembre o endereço da Natalândia.

Afinal, não desejamos que Noel e seus fiéis ajudantes sejam esquecidos e acabem como certa Chapeuzinho: na barriga de um lobo faminto de holofotes.

*cronista residente no Rio de Janeiro, Fábio Flora mantém o blog Pasmatório e perfil no Twitter.

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