Limites para a liberdade econômica e o interesse nacional

Era para ser o mundo do livre comércio. O paraíso das oportunidades. Uma aldeia global. A extinção das fronteiras. A humanidade sem muros. Eis como se definiu, nas últimas décadas, o fenômeno conhecido como “globalização”.

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A ideia, e fique isto muito claro, é válida. Já passou da hora de a humanidade adquirir consciência. Porém, bastou uma pandemia para demonstrar que espiritualmente estamos muito distantes disso. Descortinou-se, ao fim do cabo, um cenário dantesco.

A primeira vítima foi o comércio. As notícias de interceptação e desvio de equipamentos hospitalares já pagos viraram rotina nos jornais. Dentre as vítimas enumerou-se o Brasil - um dos países mais “globalizados” do mundo.

Seguiu-se o erguer, do dia para a noite, de barreiras comerciais as mais diversas. O protecionismo falou mais alto. Novamente, uma das maiores vítimas foi o nosso país.

Não nos esqueçamos da fraternidade e do respeito. Países que sempre homenageamos viram, impassíveis, brasileiros serem despachados para verdadeiros campos de concentração, onde permaneceram presos em condições absolutamente indignas. Outros acabaram dormindo na sarjeta, passando fome e privações.

Poucos foram, afinal, os exemplos de grandeza e sensibilidade testemunhados por esta “aldeia global” afora, em contraste com os inumeráveis exemplos de egoísmo, ganância, prepotência e mesquinharia.

Que não se confunda este quadro com o conhecido bordão “meu país primeiro”. O que vimos vai muito além disso! Chega às raias da pirataria e do desprezo.

Não sou, repito e insisto, inimigo da “globalização”. Defendo a integração. Sou autor de livros sobre as vantagens da eliminação de barreiras comerciais. Mas penso que deveríamos, enquanto Brasil, meditar.

Nas últimas décadas internacionalizamos brutalmente nossa economia, de forma sem paralelo no planeta. Grupos estrangeiros aqui estão a explorar nossas mais relevantes riquezas - até as não-renováveis. Alguns, inclusive, poluindo nosso solo e destruindo nossa tão rica natureza. Enquanto povo, chegamos ao ponto de substituir “intervalo” por “coffee break”. De aposentar o Saci Pererê e contratar o “Halloween”.

Em uma expressão: praticamente sem reciprocidade, entregamos a outros povos muito de nossas riquezas e até de nossa identidade. Está certo isso? Acorda, Brasil!

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