Rumo à igualdade de gênero para o Brasil 50-50

"Precisamos valorizar nossas candidatas e dar uma chance a quem se comprometeu com as bandeiras que há décadas carregamos"

Marivaldo Pereira

Evelin Maciel *

Estamos no coração do Brasil, sob um céu estrelado que ilumina a todos por igual, homens e mulheres. Em 2015, líderes mundiais se encontraram para discutir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, os chamados ODS. De acordo com a ONU, para que a nossa sobrevivência não destrua o planeta onde habitamos, devemos cumprir com 17 objetivos e temos que fazer isso até 2030. É indiscutível a importância de todas essas metas, e hoje vamos falar do ODS número 5, que trata da participação das mulheres na sociedade.

O Objetivo nº 5 determina que o mundo seja paritário em 2030. Isso significa que elementos básicos que nos definem como sociedade, tais como o acesso à saúde, à educação e ao mercado de trabalho, incluindo a investidura em cargos públicos e eletivos, deverão ser ocupados nesta proporção: 50% por mulheres e 50% por homens. Para o Brasil, isso é um sonho muito distante da realidade, pois estamos extremamente atrasados neste quesito.

Segundo o relatório sobre paridade de gênero do Fórum Econômico Mundial, em 2017, ocupamos a 90ª posição nesse ranking. Entre os países latino-americanos, estamos na frente apenas do Paraguai e da Guatemala. Considerando apenas a questão do empoderamento feminino na política, o Brasil cai para o 110º lugar. E sabem qual é o país mais avançado da América do Sul neste quesito? A Bolívia, uma agradável surpresa.

O segundo lugar mundial é ocupado pela Noruega, onde as parlamentares mulheres são 40%, e onde, no mercado de trabalho, a participação feminina é de 95 trabalhadoras para cada 100 homens — neste último quesito, as norueguesas ocupam a plena paridade na força de trabalho e levam seu país à posição de líder mundial.

Já na vizinha Bolívia, as bolivianas são maioria no parlamento! Dos ministros, 30% são mulheres e há quase 80 mulheres para cada 100 homens trabalhando.

E aqui cabe uma reflexão: se temos, proporcionalmente, o mesmo número de mulheres trabalhando no Brasil e na Bolívia, por que temos apenas 10% de mulheres no parlamento e ainda muito menos mulheres em posições ministeriais? Será que essa representação política não tem reflexo em como as mulheres são tratadas no mercado de trabalho, nas casas, nas escolas e na rua? Parafraseando a nossa querida Manuela D’Ávila, será que seria necessário discutir a existência de creches públicas se o Congresso tivesse um maior número de mães parlamentares? Suspeitamos que não.

É triste também a realidade do nosso país quando olhamos para os números de violência contra a mulher. A cada duas horas uma mulher morre neste país. Assassinada por seu ex-namorado, ex-marido, amante, marido, namorado, amigo, vizinho. Estes dados alarmantes têm tudo a ver com o que aconteceu com Manuela D’Ávila no Roda Viva; com o que aconteceu com a senadora Lídice da Mata nesta semana; com o que acontece diariamente com as mulheres que militam na política.

Esses episódios indicam que temos um pacto velado. Que país é este — “moderno”(?), “conectado”(?), “liberal” (para quem?) —, em que os homens mantêm as mulheres oprimidas, mantém seu poder patriarcal, machista, racista, e assim preservam seus privilégios. Que país é este em que homens parlamentares são donos, dirigentes e editores dos mesmos veículos de comunicação que perpetuam esse massacre. E dominam a mente dos brasileiros com suas mensagens que tratam a mulher com desrespeito, como objetos à venda em programas e propagandas de TV, um desfile interminável de bundas, caras e bocas.

Diante deste cenário, só podemos imaginar um caminho para avançarmos no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 5. Precisamos que as mulheres se unam e atuem de forma determinada para mudar o atual cenário de nossa representação política. No Distrito Federal, se unirmos 800 mil mulheres, de um universo de 1,2 milhão de eleitoras, podemos decidir as eleições de outubro e dar início a uma mudança sem precedentes em nossa sociedade machista. Para isso, precisamos valorizar nossas candidatas e dar uma chance a quem se comprometeu com as bandeiras que há décadas carregamos.

Somente ao nos juntarmos poderemos cumprir a nossa parte em prol do ODS proposto pela ONU. Nós queremos esta mudança em nosso país!

Em outubro teremos o voto em nossas mãos! Precisamos fazer valer esse objetivo!

*Evelin Maciel é jornalista, cientista política e apresentadora de TV

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