Feliz cidade. Parece óbvio, mas não é

Mauro Motoryn *

Estamos prestes a completar 100 dias de gestão dos novos prefeitos.

Todos eles, sem exceção, já tiveram tempo de tomar conhecimento dos problemas de sua cidade, já montaram suas equipes, portanto, é hora de transformar em realidade as promessas de campanha.

Espero que todos os eleitos, prefeitos e vereadores, incentivem a participação popular, seja através das associações de bairros, organizações do terceiro setor, partidos políticos.

Durante os últimos anos, cansamos de escutar a máxima: “É a economia, estúpido!”. Acompanhamos também a evolução do conceito: “Não é a economia, mas sim a política, estúpido!”. Está na hora de esquecer essas máximas e pensar na gestão pública.

A felicidade do cidadão deveria ser a finalidade de qualquer política pública. PARECE ÓBVIO, MAS NÃO É. Os objetivos normalmente se perdem em agendas complexas. Com a finalidade de trazer os gestores de volta aos objetivos, economistas renomados e organismos internacionais (como a ONU) têm liderado discussões sobre a felicidade.

No Brasil, o Movimento Mais Feliz também tem pensado na felicidade como eixo de políticas públicas, até porque algumas das políticas públicas implementadas nos últimos anos mudaram radicalmente o perfil da sociedade. Essas ações trouxeram a felicidade de parcela representativa da população, criando condições para o seu crescimento pessoal, intelectual e profissional.

Com a estabilidade da moeda e programas sociais eficientes, tivemos a inclusão social de mais de 35 milhões de cidadãos, agora mais felizes. E a felicidade pode ser ainda maior. O Brasil quer educação e saúde de qualidade, quer participação da gestão pública, quer o dinheiro público bem aplicado.

Chegou a hora de o poder municipal trabalhar com o mesmo objetivo. A revolução começa no microcosmo. O cidadão, protagonista da nova história do Brasil, vive na cidade, ao lado do vereador e do prefeito. E são os prefeitos que devem fazer essa transformação.

Falar do passado não adianta mais. Hoje as redes sociais formadas por partidos políticos, entidades do terceiro setor, associações de bairro e diversos outros micro-organismos estão conectadas à administração pública. Organizam-se, demandam e propõem. As redes sociais virtuais, por sua vez, à medida que aprendem a usar o seu poder, têm sua função cidadã aflorada.

Essa convergência social e digital, aliás, levará ao paroxismo a participação popular na administração pública. Será ela que definirá prioridades, exigirá transparência e a criação de canais mais ágeis, necessários às mudanças de que precisamos.

A inovação tecnológica levará as pessoas a participarem da administração pública em TEMPO REAL E ONLINE, via celular ou computador. Teremos no futuro próximo uma sociedade mais viva e participativa. Isso é bom para os administradores competentes, porém cruel para os desavisados.

Como medir a felicidade do cidadão e a efetividade das suas reivindicações? Metodologias quantitativas, pesquisas qualitativas e aplicativos se propõem a fazê-lo. É brasileira, aliás, a primeira plataforma digital que avalia o nível de satisfação da população em diversas dimensões em tempo real.

Essa plataforma, MyFunCity, permite que cada usuário avalie exaustivamente sua rua, seu bairro e sua comunidade, em categorias como saúde, educação, transporte, poluição (sonora e visual). É possível interagir com demais cidadãos e analisar cada região em detalhe.

Na próxima semana teremos o lançamento do Well Being Brazil (WBB), o índice de Bem-Estar Brasil, indicador inédito no país, que vai mensurar o nível de bem-estar dos brasileiros a partir das necessidades e anseios da população. Será possível complementar os indicadores que já estimam o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional. A Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EASP) e a rede social MyFunCity são os idealizadores e coordenadores da iniciativa, uma ferramenta gratuita e apartidária.

O WBB, índice de Bem-Estar Brasil, será desenvolvido com base em dados fornecidos pelos cidadãos sobre temas como clima e atividades ao ar livre, transporte e mobilidade, família, redes de relacionamento, profissão e dinheiro, educação, governo, saúde, segurança e consumo.

A construção do indicador se dará mediante ação conjunta entre academia, empresa e movimentos sociais. Seu objetivo é possibilitar o entendimento do que é considerado importante e essencial pela população e quais as demandas do país. Além da FGV-Easp e de MyFunCity, a iniciativa conta com a colaboração de pesquisadores nacionais e internacionais. Apesar de ser um índice nacional, o WBB, diferente de outros índices, possibilitará a leitura regional de cada um dos temas pesquisados.

Essa e outras tecnologias de medição levarão aos gestores o suporte à tomada de decisão. Mostrarão também os números que refletem sua performance, fazendo com que possam estruturar a gestão antenados aos desejos da sociedade.

As políticas públicas focadas na felicidade do cidadão deveriam ser o norte dos novos gestores. A felicidade é o caminho.

* Mauro Motoryn é publicitário. Criou e preside o Movimento Mais Feliz e o myfuncity.org. Fundou e dirige a agência Muchmore Intelligence.

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