Felicidade e políticas públicas

Mauro Motoryn*

Outubro está chegando. Será um grande reencontro com candidatos a prefeitos e vereadores que nos visitam a cada quatro anos, cheios de sorrisos e promessas, carinhos e ofertas de todo gênero.

Todos eles vão se (re)apresentar com as mais modernas técnicas de campanha, assessorados por experientes homens de marketing.

Durante os últimos anos, cansamos de escutar a máxima ganhadora das eleições: “É a economia, estúpido!”. Acompanhamos também a evolução do conceito: “Não é a economia, mas sim a política, estúpido!”. Está na hora de esquecer estas máximas e pensar no que é gestão pública.

A felicidade do cidadão deveria ser a finalidade de qualquer política pública. Parece óbvio, mas não é. Os objetivos normalmente se perdem em agendas complexas. Com a finalidade de trazer os gestores de volta aos objetivos, economistas renomados e organismos internacionais (como a ONU) têm liderado discussões sobre a felicidade.

No Brasil, o Movimento Mais Feliz também tem pensado na felicidade como eixo de políticas públicas, até porque algumas das políticas públicas implementadas nos últimos anos mudaram radicalmente o perfil da sociedade. Essas ações trouxeram a felicidade de parcela representativa da população, criando condições para o seu crescimento pessoal, intelectual e profissional.

Com o processo de inclusão social que tivemos, foram criados mais 35 milhões de cidadãos mais felizes. E a felicidade pode ser ainda maior. O Brasil quer educação e saúde de qualidade, quer participar da gestão pública, quer o dinheiro público bem aplicado.

Chegou a hora de o poder municipal trabalhar com o mesmo objetivo. A revolução começa no microcosmo. O cidadão, protagonista da nova história do Brasil, vive na cidade, ao lado do vereador e do prefeito. E são os futuros candidatos que poderão fazer essa transformação.

Sorrisos só não bastam. Hoje as redes sociais formadas por partidos políticos, entidades do terceiro setor, associações de bairro e diversos outros micro-organismos estão conectadas à administração pública. Organizam-se, demandam e propõem. As redes sociais virtuais, por sua vez, à medida que aprendem a usar o seu poder, têm sua função cidadã aflorada.

Esta convergência social e digital, aliás, levará ao paroxismo a participação popular na administração pública. Será ela que definirá prioridades, exigirá transparência e a criação de canais mais ágeis, necessários às mudanças de que precisamos.

A inovação tecnológica levará as pessoas a participarem da administração pública em tempo real e online, via celular ou computador. Teremos no futuro uma sociedade mais viva e participativa. Isso é bom para os administradores competentes, porém cruel para os desavisados.

Como medir a felicidade do cidadão e a efetividade das reivindicações desse cidadão? Metodologias quantitativas, pesquisas qualitativas e aplicativos se propõem a fazê-lo. É brasileira, aliás, a primeira plataforma digital que avalia o nível de satisfação da população em diversas dimensões em tempo real.

Esta plataforma, MyFunCity, permite que cada usuário avalie exaustivamente sua rua, seu bairro e sua comunidade, em categorias como saúde, educação, transporte, poluição (sonora e visual). É possível interagir com os demais cidadãos e analisar cada região em detalhe.

Esta e outras tecnologias de medição levarão aos gestores o suporte à tomada de decisão. Mostrarão também os números que refletem sua performance, fazendo com que possam estruturar a gestão antenados aos desejos da sociedade.

As políticas públicas focadas na felicidade do cidadão deveriam ser o norte dos novos gestores. E também nos votos dos eleitores. A felicidade é o caminho.

*Ativista social, publicitário, criador e presidente do Movimento Mais Feliz e do myfuncity.org

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