Episódio do ‘Proaécio’ ensina que corrupção não se explica, se condena

Há alguns períodos do ano em que os aeroportos, principalmente os da região sul, fecham para pouso e decolagem. Semana passada, o aeroporto de Maringá fechou e eu fiquei a ver navios. Maneira de dizer, na verdade fiquei a ver chuva e céu nublado. O que fazer?

Nada mais me restava do que esperar para ver para onde a companhia me (despacharia) mandaria e, segundo, a certeza que não chegaria para o compromisso do início da tarde em Curitiba.

Assim que fui informado de que o voo foi cancelado, fui ao balcão da (Azul) empresa para saber o que fariam comigo. Fui informado que ou ficaria em Maringá e iria no dia seguinte cedo para Curitiba, ou iria ao Rio de Janeiro e de lá, no mesmo dia, para Curitiba e assim chegaria ao meu destino final somente à noite. Portanto, nada de cumprir o compromisso.

Decido ir via Rio de Janeiro. A empresa me oferece a passagem e me informa que vou ao aeroporto Santos Dumont. Ótimo, porém durante o embarque em Maringá somos informados que o destino do avião é o aeroporto do Galeão. Pensei: pronto, com essa confusão daqui a pouco vão querer me levar para Minas Gerais, para o aeroporto da cidade de Cláudio (MG). Se fosse isso, não aceitaria: não tem porque eu ir para um aeroporto clandestino. Se a ANAC não autorizou o uso do aeroporto, do ponto de vista legal ele é clandestino. Pior, se chegar lá tenho que pedir a chave para entrar e sair.

Dia desses, o candidato Aécio Neves disse que estava colocando um ponto final na denúncia sobre a construção de um aeroporto na fazenda do tio dele. Tal aeroporto foi construído com dinheiro público quando ele era governador. Ora, não esclareceu nada, até porque atos corruptos não se esclarecem.

Aécio Neves, quando foi governador de Minas Gerais, elaborou um programa chamado ProAero, que previa a construção de 14 aeroportos no Estado. Destes 14, somente dois foram construídos. Um deles localizado na fazenda do tio-avô Múcio Tolentino, no município de Cláudio. O outro na região norte do Estado, no município de Montezuma, onde Aécio tem uma propriedade. Em função disso, o programa poderia ter sido chamado de ProAécio.

O aeroporto do tio ficou pronto em 2010, porém não possui autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar como aeroporto público. O de Montezuma tampouco tem a autorização.

Antes, o governador Aécio censurava a imprensa mineira, e agora, como candidato, começa a aparecer um pouco do muito que foi depositado debaixo do tapete. Os casos dos aeroportos devem ser somente a ponta (do iceberg) da biruta. Diz Aécio que o aeroporto é público. Em função dessa afirmação, é possível fazer várias perguntas, mas vou me ater a uma: por que tenho que pedir a chave da porteira da fazenda para entrar no aeroporto? Ou seja, tem que “beijar a mão do tio”.

O outro aeroporto construído pelo programa ProAecio, digo ProAero, fica na região norte de Minas Gerais, no município de Montezuma. Nesse município, está sediada a empresa Perfil Agropecuária e Florestal, cujo dono é o senhor Aécio Neves. Herdou as terras de seu pai, que tampouco as comprou. Aliás, ninguém da família comprou.

Aécio, nos últimos anos, gritava e discursava por todos os cantos as palavras “ética”, “moralidade” e “contra a corrupção”. Agora, tropeça em todas, até porque o discurso era hipócrita.

Bolsa Família não pode. Aécioporto para a família pode?

Aécio, o assunto não está encerrado. Corrupção não se explica. Se condena.

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