Entre a frustração e a mudança

Carlos Roberto*

Durante uma recente entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao ser instigado sobre a marca que Dilma Rousseff (PT) deixará neste mandato, respondeu: “Frustração”. Para justificar a definição, FHC explicou que o governo federal vinha pregando o crescimento econômico do Brasil mesmo diante da crise mundial deflagrada em 2008. Graças a uma reação positiva do país em um primeiro momento, Lula conseguiu levar seu governo até 2010 segurando o desemprego e mantendo a inflação em níveis aceitáveis, mas a um custo muito alto para o setor produtivo. Com programas populistas e eleitoreiros, acabou por eleger sua sucessora.

Porém, Dilma teve de pagar uma conta muito alta deixada por seu padrinho. Como quem não sabe gasta muito e faz mal feito, a presidente meteu os pés pelas mãos e acelerou um processo de intervenção na economia, aumentando o tamanho do Estado e assim sacrificando os investimentos principalmente nos setores produtivos. Para segurar a inflação, comprometeu, entre outras, as contas da Petrobras, que passou a acumular prejuízos seguidos. Assim, dilapidou um dos maiores patrimônios da nação.

O BNDES, o principal banco de fomento ao setor produtivo, em nome de garantir o tal desenvolvimento, deu as costas ao Brasil e privilegiou os chamados campeões nacionais, grandes conglomerados econômicos que tinham a missão de se tornar gigantes brasileiras para atuar, inclusive, no exterior, a base de juros subsidiados com recursos do Tesouro Nacional. Mais um fracasso.

Os necessários investimentos no setor de infraestrutura para garantir o avanço do país naufragaram. Por mais que Dilma tenha passado boa parte de seu governo anunciando a liberação de milhões de reais para obras nos mais diferentes setores, por meio do PAC 1, PAC 2, PAC Mobilidade, muito pouco foi realizado de fato. As promessas da campanha de 2010 não se realizaram e hoje aparecem apenas como propagandas que não se refletem em realizações.

A tese do produtivismo, que se baseia no produzir mais para crescer mais, nem de longe foi alcançada por esse governo que está aí. Os resultados apresentados confirmam que a economia do Brasil não tem um rumo definido. Vive de idas e vindas tentando se aproveitar de melhoras no cenário internacional, quando isso ocorre. Tudo isso porque o PT, como já está mais do que evidente, não entende de governar. Não tem projeto para o país.

A reação dos petistas, diante da prisão dos mensaleiros, julgados e condenados pela corte maior deste país, só confirma que, para eles, nada mais importa que o poder pelo poder. Assim, a marca da frustração, elencada por Fernando Henrique, espalha-se principalmente entre aqueles que ainda acreditavam que os "petralhas" poderiam mudar o país. A quem nunca acreditou, resta a esperança de promover essa mudança e recolocar o Brasil na trilha do desenvolvimento a partir da produção.

*Carlos Roberto é deputado federal pelo PSDB de São Paulo, presidente da Subcomissão de Monitoramento das Políticas de Financiamento dos Bancos Públicos de Fomento

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