Emobras em Dubai

"Se Bolsonaro mantiver os compromissos, poderemos tornar o país área mundial de turismo, tecnologia e criatividade", escreve Paulo Castelo Branco

Cheguei a Brasília no início da década de 1970. Não acompanhei a construção, mas, por relatos de pioneiros, sei do ritmo imposto pelo presidente JK e da dedicação de profissionais que enfrentaram o desafio e construíram a capital em quatro anos. Tudo em obras.

Ao chegar, imaginei que a cidade iria crescer e ocupar o Plano Piloto de acordo com a proposta de Lúcio Costa que indicava a ocupação, preservando as características apontadas em seu projeto. Quase deu certo!

Com o passar dos anos, um jeitinho aqui, outro acolá, o silêncio ou conivência das autoridades, a cidade foi sendo ocupada desordenadamente e a inércia da população criou o hábito das barracas, dos puxadinhos e de um andar a mais nos prédios.

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Nessas férias, fui a Dubai e Abu Dhabi nos Emirados Árabes, locais que turistas e empresários dizem ser um mundo novo.

Em terras inóspitas cheias de mistérios e lendas, o governo decidiu aplicar os seus recursos na construção de grandes obras para conquistar turistas e investidores. Ainda no avião, vi dezenas de imensas gruas em operação. Um canteiro de obras como foi a construção de Brasília.

A modernidade, a tecnologia e a criatividade de engenheiros, arquitetos e calculistas, entre tantas outras profissões, resultam em fantásticas obras como as ilhas artificiais criadas em pleno mar, além de jardins deslumbrantes mantidos com água dessalinizada e sistema de gotejamento.

Os luxuosos hotéis repletos de pessoas de várias nacionalidades são verdadeiras cidades. Os serviços são excelentes e prestados em sua maioria por funcionários de outros países. A proibição da venda de bebidas alcoólicas pouco interfere na vida dos turistas, que podem consumi-las em restaurantes localizados em área hoteleira.

Em Dubai, a família de soberanos controla tudo através de empresas de construção civil, de extração de petróleo, de dessalinização da água do mar, da aviação e tantas outras sempre sob o comando de um sheik. Deu certo!

Nos Emirados Árabes, a lei e a justiça são aplicadas por normas milenares. Nas obras, a tecnologia e a ciência são utilizadas em grande escala. No entanto, se alguma obra desabar ou causar danos, os responsáveis são julgados e, se culpados, podem receber pena de morte.

Abu Dhabi também constrói obras magníficas, como a Mesquita Sulton, que deixa o visitante extasiado com a beleza e riqueza do templo. A visita ao deserto é outra atração inesquecível.

Esse relato serve para comparar as nossas vidas. Por lá, parece, a água é sempre potável, a cidade não afunda, os viadutos não desabam e suas represas ou barragens não desmoronam.

Por aqui, a sequência de desabamentos de viadutos, vazamentos em barragens de rejeitos minerais, afundamento de cidade, alagamentos sem fim, por falta de escoamento das águas pluviais, tudo segue o rumo da calamidade.

A impunidade dos responsáveis, que fecham os olhos para o presente e vivem realizando novas obras, perpetuarão seus nomes no futuro, para o bem ou para o mal. A falta de manutenção de obras expostas e das de infraestrutura subterrânea acarretam desastres previsíveis com mortos e feridos que não receberão amparo do Estado.

Como sempre, o que nos falta não são recursos, competência ou tecnologia; temos petróleo, minérios, florestas preservadas, e um pequeno território inóspito sempre aguardando por água potável, apesar de situado sobre aquíferos inexplorados.

Se o presidente Bolsonaro e sua equipe mantiverem os compromissos assumidos, poderemos tornar o país em área mundial de turismo, de tecnologia e criatividade. Em vez de viajarmos milhares de quilômetros para conhecer o futuro, iremos passar as férias no nosso imenso litoral, nas montanhas que nos cercam e nos desertos inexplorados, talvez, sem precisar cortar mãos ou cabeças.

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