E agora, José?

Amilcar Faria *

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." (Ruy Barbosa)

Lutamos o bom combate, mas a vitória ainda não nos assistiu. Somos qual um Davi que enfrenta um poderoso Golias. E fomos reconhecidos Davi até pelo próprio Golias e seus escudeiros. Quisemos um arco, não conseguimos a madeira (cortada pelo desmatamento); quisemos uma forquilha para o estilingue, não alcançamos as galhas (podadas pela especulação imobiliária).

Mas ainda temos a pedra. E somos rede a substituir o pedaço de couro que precisa impulsionar essa pedra contra o gigante, que se acovarda da batalha atrás de quem lhe carregue o escudo ou de quem lhe construa armaduras de bronze, para eternizar-se na espoliação de uma guerra ideológica não declarada, mas há muito levada a termo.

Se é verdade que um partido representa mais que um pleito por dever ser (e de fato o é) um ideal de país, também é verdade que não podemos retardar por mais cinco anos nosso ideal de nação por mera incapacidade de atualização normativa, ou fuga à responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral de corrigir a ilegalidade do cerceamento do direito sem a constitucional e obrigatória fundamentação dos atos de órgãos seus que invalidaram 95 mil apoiamentos de forma indevida.

Mas a política é um exercício de estratégia, tanto quanto um teste de integridade; é um constante fazer o que não se deseja pessoalmente em prol do que se necessita coletivamente, resguardando-se os limites da integridade, dos princípios e da ética. Assim é que sou rede, mas quero (porque preciso e com urgência) ter uma melhor opção para a presidência já e ainda no próximo pleito.

Não posso me dar ao luxo de aguardar mais cinco anos de espoliação silenciosa da falta de caráter e integridade em uma suposta governança de coalizão que visa a locupletar compadres; de corrupção das prioridades de quem prefere cortar impostos de automóveis, com foco no transporte individual em detrimento do coletivo, do que dos remédios, que deveriam focar a saúde de quem já não pode contar com a eficiência do Sistema Único de Saúde e que constrói estádios de bilhões para evento único no lugar de escolas e hospitais de poucos milhões para uso constante; de quem derroga até as normas do português para atender alguma vaidade pessoal.

Assim, mesmo sendo rede até a alma, sem economizar nada de talento, de energia ou de coração para a criação do partido que acredito nos permitirá um choque de qualidade na política e na sociedade de um Brasil que quero melhor para todos, eu penso que não podemos nos afastar da disputa presidencial de 2014 por um contratempo da legenda que estamos criando e que já está marcada no sentimento coletivo.

E é como rede que armo nosso Davi (pessoas de boa índole) para o arremesso da pedra (Marina) que derrotará nossos Golias (a velha política). É como rede que digo que a hora da batalha (05/10) urge em nossos calcanhares (que não podem ser de Aquiles) e que precisamos considerar sermos a funda que lança a pedra, ainda que sob a égide de outra legenda que não é a que eu quero, mas que seja a que é possível, para cessarmos a espoliação de que todos somos vítimas.

* É servidor público federal, 44 anos, diretor de Programas de Controle Social do Instituto de Fiscalização e Controle, membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e ativista autoral da Rede Sustentabilidade.

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