DF apronta mais uma das suas no Senado

O Distrito Federal é pródigo em mandar o que há de pior em sua política para o Senado Federal. Duvida? Vai contando: Luiz Estevão (o primeiro senador cassado da história, envolvido no caso de corrupção do Tribunal Regional do Trabalho paulista), José Roberto Arruda (que renunciou após participar da violação do painel do Senado), Joaquim Roriz (outro que abriu mão do mandato após envolvimento no escândalo da Bezerra de Ouro), Gim Argelo (condenado a 19 anos de prisão na Operação Lava Jato).

Mas, sempre há como piorar... Após recusarmos um novo mandato para Cristovam Buarque – um dos poucos senadores atuais de integridade e honestidade a toda prova – elegemos para uma das cadeiras do Senado o atual deputado federal Izalci Lucas. A ficha corrida do tucano – segundo levantamento do próprio Congresso em Foco – é polpuda: além de responder a processo por crime eleitoral e falsidade ideológica, é investigado em outros processos por peculato e formação de quadrilha ou bando.

Boca-suja

Até aí, nada surpreendente para quem já foi secretário nos governos Roriz e Arruda e votou duas vezes contra a abertura de investigação contra o presidente Michel Temer. O que me chamou a atenção foi a declaração dada pelo futuro senador dois depois após as eleições.

Ao rejeitar o apoio à candidatura de Rodrigo Rollemberg ao governo do DF, Izalci declarou ao Correio Braziliense: “O Rollemberg é muito ligado à esquerda, sempre trabalhou com o PT, sempre foi socialista. Nós queremos exterminar o comunismo e o socialismo no Brasil. Então, quanto mais distante desse governo, melhor”.

A declaração de Izalci Lucas iguala esquerda, socialismo e comunismo, como se fossem termos equivalentes. Seria só mais um exemplo da desonestidade intelectual, além de falta de cultura política, não fosse o fato de um comentário desses sair da boca de um tucano. Será que um dia contaram para ele de onde vem a Social-Democracia que batiza o partido dos tucanos?

O mais chocante, no entanto, é ouvir um político eleito em pleno ano de 2018 falar em extermínio do comunismo e do socialismo. Extermínio é uma palavra que fez sucesso no vocabulário de um certo partido alemão que tinha o termo Socialismo no nome, mas que é inaceitável em uma democracia como a nossa. Ela fere de morte um dos fundamentos da nossa Constituição, o pluralismo político.

Mas não só: ao propor o extermínio de uma ideologia, estará o político candango propondo também o extermínio daqueles que a defendem? Ou basta a Izalci censurar e banir politicamente aqueles que pensam diferentemente dele?

E pensar que trocamos Cristovam Buarque por isso...

 

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