Conversando com ela: “Vem pra rua, dona Dilma”

– Pois é, Dona Dilma, por que a senhora não vem pra rua, também?

– Ora, Eduardo, no meio dessa confusão toda você vem com brincadeira?

– Não é brincadeira; estou falando sério, mas em sentido figurado. Claro que não acho que a senhora deveria pintar o rosto de verde e amarelo e ir para a rua, segurando uma faixa “Fora, Dilma”. Aliás, ninguém está pedindo isso! Mas que a senhora deveria vir pra rua, ou levar a rua para o Planalto, isso eu acho, sim!

– Não estou entendendo; afinal, você acha que eu deveria ou não ir pra a rua?

– No sentido figurado, sem dúvida! Seria a melhor maneira de entender a voz das ruas e poder dar respostas corretas.

– Mas como eu poderia fazer isso? A segurança não permitiria, pois haveria riscos sérios, e afinal o Planalto faz pesquisas frequentes...

– Engraçado, né? Com toda a ciência e sapiência das pesquisas nenhum assessor a alertou sobre a explosão?

– Bem, as pesquisas não podem tudo… e ninguém previu!

– Ninguém previu o momento, como também não se pode prever a hora exata em que uma bolha econômica, ou mesmo uma de sabão, vai explodir; o que se sabe é que todas acabam por explodir!

– Mas o Brasil ia tão bem! Desemprego baixo, a economia crescendo, a inflação sob controle…

– Como é, Dona Dilma?

– Bem, o desemprego continua baixo e estamos lutando para reduzir a inflação…

– É; investindo em projetos malucos e adiando aumentos de preços?!?! Fazendo estádios e trem bala e deixando a educação e a saúde pra lá? E se o IBGE passar a medir o desemprego no Brasil inteiro, e não apenas em meia dúzia de regiões metropolitanas, o quadro pode ser bem diferente, não é?

– Mas sempre foi assim!

– Esse é o problema, Dona Dilma! Sempre foi assim e é preciso mudar MUITO!!!

– Mas estamos mudando este país!

– Não é com o apoio governamental à PEC 37 que se vai atender a uma das principais solicitações, o combate à corrupção, a senhora não acha?

– Mas se todo mundo investigar vira uma bagunça…

– Pelo contrário; a bagunça se instalou porque pouca gente investiga e, de mais a mais, poucos condenados vão para a prisão! Por que a senhora não conversa com o STF e vê se acelera botar os mensaleiros na cadeia? Isso agradaria muito às ruas!

– Temos que respeitar as leis, não é assim.

– E quem disse para desrespeitá-las? É só ver como se pode fazer para acelerar o processo.

– Eduardo, você quer me complicar?

– Pelo contrário, Dona Dilma, estou tentando ajudar.

– Nós já anunciamos medidas como a importação de milhares de médicos para melhorar a saúde…

– Pois é, Dona Dilma, soluções fáceis para problemas complexos normalmente são equivocadas… A senhora acha, sinceramente, que bastam três ou quatro mil médicos a mais para a saúde melhorar?

– Bem, pelo menos será um primeiro passo… e no momento atual eu precisava dizer algo!

– Pois é, Dona Dilma: o problema é que de passo em passo chegamos à explosão atual; há que mudar a direção, tomar outro caminho e experimentar várias soluções… O dinheiro do trem bala, por exemplo, poderia ser mais bem empregado em transporte público, não acha? Ao invés de o BNDES dar dinheiro para “ajudar” o Eike ou o Friboi, o banco poderia investir, por exemplo, no desenvolvimento da tecnologia, da produção e venda de bicicletas elétricas. Assim, estaríamos mudando de rumo...

– Eduardo, estão me chamando… parece que há problemas noutra cidade…

– Noutra cidade não, Dona Dilma: em todas... Boa sorte, pense no que eu disse…

 

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