Como o concurso público mudou a minha vida

O desafio do concurso público é uma experiência que realmente pode mudar a vida de uma pessoa. Diariamente, em meu trabalho, conheço histórias que provam isso. E posso até falar em causa própria, pois sou um dos muitos brasileiros que tiveram no concurso público a oportunidade de dar uma guinada.

Aprovado em concurso, passei dezessete anos trabalhando na administração pública. Quando deixei essa atividade, estava pronto para me tornar empreendedor. Ao longo da vida, conheci jovens estagiários de diversas profissões que se tornaram servidores públicos logo no primeiro concurso que prestaram e, com isso, mudaram de vida da noite para o dia. Eis a seguir uma dessas histórias.

Dei baixa do Exército aos 19 anos de idade, em uma sexta-feira, e já na segunda-feira seguinte procurei emprego na iniciativa privada, atendendo ao recrutamento dos classificados de um jornal local. Fazia as entrevistas, os testes, e percebia que era bem avaliado e ia muito bem nas provas. Mas pesava em meu desfavor a pouca idade, a falta de experiência e o fato de ter sempre estudado em escola pública. Morar em Ceilândia, não possuir muitos cursos de aperfeiçoamento, ter trabalhado na construção civil e não contar com nenhuma carta de recomendação também não ajudava muito.

Foi quando apareceu o primeiro edital na praça, do Banco do Brasil. Eram muitas vagas, e o certame cobrava matérias simples, sobre as quais eu até dava aula, como Matemática e Língua Portuguesa. Eu precisaria estudar apenas práticas bancárias e matemática financeira. Economizei e paguei um cursinho rápido. Estudei de segunda-feira a segunda-feira, entre duas e seis horas por dia. Algumas noites, precisava manter os pés mergulhados numa bacia de água fria para não adormecer. Dedicava-me à preparação com afinco, fosse em sala de aula, fosse sozinho em casa ou estudando em grupo. Nos simulados de que participei, sempre ocupava os primeiros lugares.

Diante disso tudo, fui para a prova com a obrigação de passar. Estava ansioso, estressado, e, então, fui acometido pelo famigerado “branco”. Não conseguia raciocinar nem me lembrar do conteúdo. Que vexame: eu, reprovado em um concurso para o qual estava muito bem-preparado. Ao responder a prova depois, com calma, eu a gabaritei. Lição dura de um fracasso. Voltei para fila, estudei para a Caixa e para o BRB e passei nos dois.

Mais tarde, fui aprovado em outros grandes concursos, tendo alcançado inclusive um primeiro lugar. Cheguei a ganhar 50salários mínimos por mês, acumulando legalmente dois cargos públicos. Exerci cargos de chefia, de assessoramento e de direção superior. Esses momentos me propiciaram grande aprendizado sobre como funcionava a máquina pública. E tudo me rendeu convites para dar aulas, escrever livros, ministrar palestras, oferecer consultorias. Os 17 anos como servidor público, os 25 como professor de escola preparatória, os 27 como educador e os 33 inserido no mundo dos concursos me garantiram o título de um dos maiores especialistas quando o assunto é concurso público ou administração pública.

O fato é que fez toda diferença, para mim, ter podido competir em condições de igualdade com concorrentes que tinham formação superior, estudaram em escola privada, pagaram por bons cursos preparatórios, compraram material de estudo de qualidade, tinham boa aparência e detinham experiência. Simplesmente ter tido a possibilidade de competir de forma objetiva com esse tipo de candidato permitiu-se demonstrar o meu talento, a minha disciplina e a minha vocação para o exercício de um cargo público.

Essa, como vocês já devem ter percebido, é a história de um concurseiro chamado José Wilson Granjeiro. Ao contá-la, meu objetivo é que ela sirva de exemplo e de estímulo para todos os que estão na estrada do concurso público. Quero demonstrar que qualquer um pode um dia alcançar o sucesso, desde que reúna persistência e coragem para vencer possíveis e prováveis insucessos.

Concurso público ainda é o processo mais isonômico que conheço. Não carece de pistolão, de indicação, de carta de apresentação, de grau de parentesco, de sobrenome. Depende tão somente do esforço pessoal do candidato. É esse o melhor estímulo para quem quer ser aprovado e se tornar um servidor público como eu fui até alguns anos atrás. Com muito orgulho, faço questão de acrescentar.

É claro que, para conquistar as carreiras que eu desejava, precisei me privar do convívio da família, dos amigos, da namorada. Tive de abdicar de muitos prazeres temporariamente. Tudo pela estabilidade financeira. Se não fosse o instituto do concurso público, eu não seria hoje o Professor GRANJEIRO, reconhecido em todo o País por minha história e por minhas obras, palestras, mensagens, frases, vídeos, dicas, comentários e entrevistas.

Essa é a lição que quero deixar esta semana para todos os que me acompanham nestes artigos. Sobre o tema, me vem à memória um provérbio chinês que vale a pena anotar e deixar debaixo do travesseiro, para ser lido antes de você sair para a aula ou para fazer a prova, no grande dia:

“A persistência realiza o impossível.”

Seja persistente. Assim, você logo alcançará o tão almejado emprego público e, então, poderá desfrutar, pelo resto da vida, se assim desejar, do seu FELIZ CARGO NOVO!

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