Atos de ódio​

Muitos opinaram e muitos ainda opinarão sobre os atos de domingo, mas como também gosto de meter o meu bedelho, também escrevo sobre o tema. Como domingo vou descansar e segunda tenho que trabalhar, escrevo antecipadamente (no sábado) porque uma certeza tenho: estes atos são resultado da construção do ódio.

Ódio construído pelos “de cima”, como dizia Florestan Fernandes.

Tive minha formação política durante a ditadura militar. Além de ler, participava muito de debates, alguns deles clandestinos, coisa que muitos que irão para a rua sabem perfeitamente o que é, pois estavam do lado da ditadura e oprimiam o povo.

Esses sabem o que querem. Sabem porque mandavam bater, prender, torturar e matar. Vão para a rua, acompanhados de inocentes manipulados, pedindo a volta da ditadura, portanto a volta deste poder para eles.

Os “de cima”, os ricos, não toleram e no Brasil nunca toleraram que os pobres ascendessem socialmente. E, no governo do PT (Lula e Dilma), muitos pobres ascenderam econômica e socialmente, mas, infelizmente, uma parte não ascendeu intelectualmente, sendo hoje massa de manobra da direita, entre os quais os partidos PSDB, DEM, PPS e Solidariedade.

Para os “de cima”, o bom é a empregada sem direitos trabalhistas e ganhando uma miséria. Tendo que dormir no emprego, pois sequer tinha vale-transporte ou salário suficiente para pagar a passagem de ônibus para dormir em casa com a família.

Hoje, muitas dessas empregadas, junto com a família, compraram carro e têm casa adquirida pelo programa “Minha Casa Minha Vida”. Não são mais escravas.

Para eles, seria bom que os miseráveis continuassem miseráveis e seus filhos, morrendo de fome. Os “de cima” precisam de um alto índice de desemprego para achatar os salários, um exército de reserva, como definiu Karl Marx.

Os “de cima” enchiam a boca e diziam para o desempregado desesperado, que tinha em casa mulher e filhos esperando pela comida, algo como “se quiser é o que posso pagar (meio salário mínimo), senão quiser tanto faz, há outro que trabalha por isso”. Faziam isso com orgulho e peito estufado. Não dá mais para fazer isso, porque hoje estamos bem perto do pleno emprego.

Para os “de cima”, insensíveis com o sofrimento alheio, não importava e não importa que mais de 34 milhões de pessoas na pobreza passassem fome. Sabem que uma pessoa com fome se submete as mais humilhantes situações, como o trabalho escravo, por um prato de comida.

Para os “de cima”, é difícil tolerar que uma pessoa pobre, principalmente se negro, faça uma faculdade, seja médica, engenheira, filósofa, historiadora, etc..

“Imagina minha filha (branca) que estuda medicina fica sentada do lado de um negro.” Esse tipo de comentário deve ter sido feito em centenas de lares dos “de cima”, daqueles que ficaram em casa batendo panela. Bater panela sempre foi o protesto dos pobres, dos famintos, e não os do que sempre viveram na opulência.

Para os “de cima”, é melhor que os demais morram sem assistência médica, basta ver o comportamento que tiveram em relação ao programa “Mais Médicos”. Os “de cima” foram até o aeroporto em Fortaleza para vaiar os médicos cubanos e médicas cubanas que chegavam para atender os pobres que eles sempre se negaram a atender.

Os “de cima” reclamavam e reclamam dos pobres que entopem os aeroportos. Dos pobres que compraram carros e agora entopem as ruas. Dos pobres que “não conhecem seu lugar”.

Por tudo isso e muito mais, os “de cima” entraram num processo de construção do ódio contra o PT e os petistas. Passaram a fazer do combate à corrupção o biombo para o golpe que desejam.

Biombo, sim, pois nunca combateram a corrupção. Ao contrário, sempre se locupletaram com ela. No governo deles (ditadura e depois FHC/PSDB) muito se roubou e nada fizeram. Ou alguém acha que FHC e Aécio são santos?

Os “de cima” sempre comeram nas mãos do Tio Sam e desejam se colocar novamente de joelhos diante dos EUA. Não teriam o menor pudor de entregar a Petrobras e o pré-sal.

Mais do que eles, nós, do PT, investigamos e buscamos punir os ladrões, como nunca havia sido feito até então no Brasil. E defendemos a Petrobras.

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