Às mulheres, com carinho, pelo seu dia

Poucas vezes alguém conseguiu sintetizar com tanta perfeição e em tão poucas palavras a importância das mulheres para a construção da civilização. A autora de dizeres tão precisos foi, durante anos, talvez a mulher mais poderosa do mundo, tendo chefiado o governo de uma grande potência com tanta energia que ficou conhecida como Dama de Ferro.

É claro que me refiro à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que governou o Reino Unido entre 1979 e 1990. Escolhi uma de suas frases para abrir este artigo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, porque essa personagem da história ilustrou com brilho incomum a importância das mulheres na sociedade moderna. A Dama de Ferro deixou de ser mera coadjuvante para assumir o papel de protagonista dos acontecimentos mundiais. A espelhar o exemplo dela, muitas mulheres tomam para si a liderança nas mais diversas áreas, e com cada vez mais frequência, neste nosso mundo globalizado.

Mas nem sempre foi assim. Para chegar à situação de hoje, as mulheres sofreram muito. A escolha da data de 8 de março para homenageá-las serve para nos lembrar das manifestações que elas levaram a termo no início do século passado, em busca de melhores condições de vida e de trabalho na Rússia czarista, nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. O ano de 1975 foi designado pela ONU como Ano Internacional da Mulher e, em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para relembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

No Brasil, a data só começou a ganhar força depois da redemocratização do País, em 1985. Desde então, o calendário tem reservado para o 8 de Março diversos eventos que ressaltam e comemoram a nova situação das mulheres em nosso contexto social. A demonstrar a nova face desse contexto, temos, hoje, uma mulher como presidente da República e outras tantas desempenhando cargos na política e na Administração Pública. Um dos símbolos dessa nova situação é a Lei Maria da Penha, que nasceu para defender as mulheres das agressões de que costumam ser vítimas por parte principalmente de maridos ou companheiros sem caráter.

Quero citar agora dois outros pensamentos. O primeiro deles é atribuído ao comediante Groucho: “O homem não controla o próprio destino. É a mulher de sua vida que faz isso por ele.” O outro é do poeta Carlos Drummond de Andrade: “Os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres pelo que levam os homens a fazer.” Elas, de fato, exercem essa influência sobre nós do sexo masculino, e eu, particularmente, confesso ter sido influenciado por elas durante toda a minha vida. A começar por minha mãe, que me guiou os passos maravilhosamente dos primeiros anos até a minha juventude; depois, por minha esposa, com quem mantenho, além da relação afetiva, um vínculo inestimável para meu sucesso profissional. No entanto, hoje os dois autores a que me referi teriam de atualizar seus pensamentos, sob pena de serem considerados preconceituosos. Afinal, as mulheres não se limitam a influenciar os homens; elas são também grandes realizadoras e os superam em muitas atividades.

No mundo dos concursos, área onde atuo há mais de 25 anos, as mulheres assumem mais e mais posições de destaque a cada dia. De fato, se ao longo das últimas duas décadas tenho dividido as tarefas diárias com cada vez mais companheiras de trabalho, também tenho notado o crescimento do contingente feminino como concorrentes nos concursos públicos. Hoje, elas já são maioria em nossos cursos e, como consequência, também nos cargos públicos.

É claro que não se trata de um fenômeno isolado, mas de tendência que se verifica em praticamente todas as atividades profissionais. Não há setor que não conte com um grande número de mulheres em sua força de trabalho. Mas elas vão além, e, em muitos casos, esse número é muito superior ao de homens. Cada vez mais, elas estão dando as cartas e ocupando os postos de trabalho, seja na segurança pública, seja na medicina, seja no magistério, seja na advocacia, seja na magistratura, seja no Ministério Público, seja na política, seja no jornalismo, seja, ainda, nas Forças Armadas.

Fico feliz por testemunhar isso e, mais ainda, por dar a minha contribuição para a ascensão feminina. É um sinal de evolução da sociedade brasileira; em minha opinião, irreversível. É claro que ainda temos bolsões de resistência a esse processo, sobretudo no interior do País. Mas acredito mesmo que a situação vai melhorar, ainda que aos poucos. Nosso país, nessa questão, está bem à frente de muitos outros. Isso fica evidente quando assistimos, por exemplo, a casos de violência absurda contra as mulheres, como os que temos acompanhado na Índia, onde o estupro é uma espécie de crime sem castigo; ou no Paquistão, onde a jovem Malala virou símbolo da resistência feminina depois de ser baleada na cabeça pela milícia Talibã, apenas porque queria estudar.

A violência de gênero que ainda se faz presente hoje nesses e em outros lugares do mundo lembra a caça às bruxas de que a Europa foi palco durante a Idade Média. Por anos, incontáveis mulheres foram vítimas de sádicos que as queimavam vivas para “defender” a Igreja Católica contra o “demônio”. Parece absurdo, mas aconteceu, inclusive aqui no Brasil, na mesma época. É por essas e outras que o Dia Internacional da Mulher é tão importante, embora ainda seja uma lembrança tímida, pelo muito que elas já sofreram e ainda sofrem nas mãos de homens ignorantes e cruéis mundo afora.

Portanto, minha homenagem a todas as mulheres pelo seu Dia, em especial às concurseiras, essas heroínas que, muitas vezes, dispostas a alcançar o seu ideal, são obrigadas a sacrificar o convívio da família. Tudo para estudar e conseguir a aprovação num concurso público. A elas, cabe este conselho de uma mulher vitoriosa, a apresentadora de televisão norte-americana Oprah Winfrey:

“Siga seus instintos. É aí que a verdadeira sabedoria se manifesta.”

Oprah sabe do que está falando, claro, pois foi assim que chegou aonde está. Ela é um símbolo para as mulheres de todo o mundo, por seu sucesso pessoal e sua independência intelectual. Oprah foi uma menina pobre que hoje fatura milhões de dólares como apresentadora do programa de maior audiência da história da televisão. Seu conselho tem a sabedoria da experiência própria. Tenho certeza de que ele pode levar a mulher concurseira a conquistar o seu lugar ao sol, alcançando a aprovação e o seu... feliz cargo novo!

Nosso jornalismo precisa da sua assinatura

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!