Alfredo Nascimento não perde por esperar. Aliás, ele não perde nunca!

 

Heitor Peixoto*

Defenestrado, ou seja, atirado pela janela do obscuro e obsoleto bonde dos Transportes, Alfredo Nascimento já recebeu a primeira “condenação”: voltar ao Senado. E em mais uma dessas nossas indigestas jabuticabas, ocorre a terceirização da pena. Afinal, ao que tudo indica, quem sofrerá os efeitos da sentença será o povo amazonense, que, como vários outros povos, não soube bem o que fazer com aquele danado voto de três dígitos.

Pois é, mas aí alguém achou isso injusto, e também insuficiente, que essa viagem errada chamada Nascimento perdesse apenas a boquinha no Executivo.

Mais do que depressa, algum gaiato ameaçou levá-lo a um bonde-fantasma que atende pelo pomposo nome de Conselho de Ética do Senado. Conselho esse que, se o (e)leitor não está lembrado, passou dois anos inativo num passado muitíssimo recente. Decerto, não por falta de serviço. Talvez, por risco de arrocho. Mas isso, claro, na remotíssima hipótese de que cumprisse seu papel.

Não. Ficou desativado porque, por dois anos seguidos, desde o escândalo dos atos secretos, ninguém se preocupou em eleger os membros. Mas, agora, não. O conselho, desde abril, está em ação (o que quer que isso signifique).

Pois quem é que vai na janelinha do ‘Expresso do tudo pode’? De um lado, Renan (PMDB-AL). Do outro, Argello (PTB-DF).  No meio, figuras do naipe de Jayme Campos (DEM-MT), Lobão Filho (PMDB-MA), Mário Couto (PSDB-PA), Ciro Nogueira (PP-PI), Acir Gurgacz (PDT-RO), além do total flex Romero Jucá (PMDB-RR), entre outros ícones.

Sim, essa escalação já é, por demais, apavorante. Não menos assustador é o histórico dos itinerários percorridos pelo fantasmagórico bonde da própria instituição Código de Ética do Senado. O mesmo que, na farra dos atos secretos, e na posterior avalanche de denúncias contra José Sarney (PMDB-AP), arquivou o que viu e o que não viu (11 pedidos), liderado pelo seu então presidente, o controverso e tranquilão Paulo Duque, a propósito, mais um senador de zero voto (caroneiro, digo, suplente, do então titular Sérgio Cabral).

Achou pouco? Bem, em sua trajetória (muito) errante, o tal conselho também lavou as mãos – veja você, que “surpreendente”! – para as denúncias... contra Renan. Estranho, não? Isso em 2007, quando ele era acusado de participação em um suposto esquema de arrecadação ilegal de recursos em ministérios comandados pelo PMDB. E em 2000, nas patetadas de Jader Barbalho e ACM (que Deus o tenha em bom lugar) com o painel eletrônico do Senado, painel esse que também arrancou lágrimas do então cândido e imaculado José Roberto Arruda? O que o conselho fez? Sim. Vegetou.

Pelo retrospecto de tal conselho, Nascimento tem consigo a tranqüilidade de seguir, toda noite, a repousar a cabeça sobre o travesseiro e dormir o sono dos “justos”.  Afinal, a benevolência do Conselho de Ética do Senado, que ninguém duvide, não tem limites. É capaz de facilmente se expandir em até 86.000%, conforme a necessidade. Ou, quem sabe, a conveniência.

Durma-se com uma “tranquilidade” dessas!

*Repórter da TV Assembleia de Minas Gerais. Twitter: @heitor_peixoto

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