Águas de Marcio

Depois de mais um dilúvio em Belo Horizonte, o primeiro da temporada, jornalistas questionaram o prefeito Marcio Lacerda (PSB) sobre a não realização de obras e medidas preventivas, mesmo com a previsão de enchentes ainda piores do que as habituais. “É a vida. Riscos novos aparecem e nós temos que atuar em função deles”, disse o prefeito. O repórter Ismar Madeira, da Rede Globo, insistiu: “Mas não são novos, prefeitos! Estavam previstos!”. A conclusão de Marcio, na mesma linha desastrosa do temporal: “Então, se é o que você tá dizendo, nós falhamos, nós devíamos ter sido um pouco mais babás dos cidadãos, para que eles não corressem riscos”.

Isso, talvez, porque uma das maiores apostas da prefeitura para lidar com as enchentes é a colocação de placas em locais mais sujeitos a inundações, alertando para o risco de se estar ali durante temporais.

Bem, por falha ou não “da babá”, uma pessoa morreu, depois que o carro que dirigia caiu em um canal. E as perdas – de vidas e de veículos – só não foram maiores porque, graças à Babá Celestial e seu assessor São Pedro (por enquanto, os únicos com os quais o belo-horizontino pode contar), o pé d’água veio no feriado, quando havia muito menos gente pelas ruas. E pelos ribeirões. E pelas ruas-ribeirões...

Mas, como já dizia Milton Nascimento e Fernando Brant, “É a vida desse meu lugar”, ao que Marcio docemente faz coro: “É a vidaaaa...”. Quanto a mim, bem, eu fico com a tristeza da resposta-lambança: é a vida, é sofrida e é sofrida!

São as águas de Marcio abrindo o verão (já???). E, pelo jeito, é promessa de enchente depois da eleição.

A semana teve mais desastre verborrágico, com o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo dizendo preferir morrer a hipoteticamente ter que enfrentar uma pena longa em nossas “prisões medievais”. Bem na hora da dosimetria do mensalão, em que a maioria dos réus se prepara para encarar os calabouços, as masmorras...?

Que os condenados, desse e de outros processos, não se prendam à tese ministerial. Como "bem" disse Cardozo, é uma opinião pessoal, referendada por não mais do que meio milhão de encarcerados.

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