A lição de estupidez no Paraná

É intolerável que, às vésperas do Dia do Trabalho, o Brasil veja trabalhador sendo tratado como caso de polícia.

A violenta repressão exercida pela tropa de choque da Polícia Militar do Paraná contra professores e servidores públicos, nesta quarta-feira (29) em Curitiba, afronta a democracia e o direito à livre manifestação, direito fundamental garantido pela Constituição.

A estupidez da ação repressiva, que deixou mais de 200 feridos, cerca de 30 deles em estado grave, muitos correndo agora risco de morte, espanta a todos os brasileiros por acontecer em regime de plena democracia, que assegura a todos a expressão de discordâncias e a defesa de reivindicações justas e protegidas em qualquer sociedade civilizada.

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Professores e servidores foram barbaramente reprimidos, numa ação desmedida que deseduca e desserve ao esforço comum de construir uma Nação socialmente justa e politicamente evoluída.

As cenas de guerra, que relembram um passado autoritário que o Brasil superou há 30 anos, são responsabilidade indelegável de governantes civis criados no ambiente democrático. Por isso mesmo, é um evento ainda mais intolerável no regime civil e democrático que todos devemos defender.

A ação de violência de Estado aconteceu para impedir o acesso de professores e servidores à sua casa política, a Assembleia Legislativa, onde se votava um projeto de lei de interesse direto dos trabalhadores do Paraná.

É lamentável que as autoridades maiores do Estado tentem, agora, justificar a violência de seus agentes, em vez de se solidarizar com as vítimas de sua desastrada ação repressiva.

A história nos ensina que não se constrói um país sob o peso de cassetetes e a fumaça de bombas de gás.

A democracia se faz e se exerce com o repúdio veemente a essa inaceitável violência.

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

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