A crise será pior

Para avaliar, mesmo que à distância, o que ocorre na Espanha, busquei acessar no último dia 5 de abril o site do jornal El País. Retirei dele algumas manchetes com seus respectivos subtítulos:

1) El BCE cree que los mercados esperan más de los Gobiernos; Draghi considera que en España y Grecia el crecimiento deberá venir de las reformas.

2) El suicidio de un jubilado ante el Parlamento sacude a Grecia; El hombre, un farmacéutico de 77 años acosado por las deudas, se pegó un tiro y culpó al Gobierno de su situación.

3) Educación elimina el plan de escuelas infantiles por los ajustes; La enseñanza hasta tres años es "asistencial", dice la secretaria de Estado Montserrat Gomendio.

4) Los contratos de ciencia se reducen este año en un 43%; Sólo se convocarán 340 para los programas postdoctorales Ramón y Cajal y Juan de la Cierva, frente a los 600 de 2011.

5) Rajoy tilda de “desagradables” las cuentas y pide rigor a las regiones; El presidente del Gobierno admite que los presupuestos son "duros" y exige a las autonomías que cumplan el déficit.

6) La preocupación por la educación y la sanidad se dispara con los ajustes; Los españoles elevan a quinto problema la enseñanza y al sexto la sanidad. La inquietud por los servicios, la más alta en un año.

7) El precio de la gasolina marca otro récord en Semana Santa; Llenar el depósito medio de un coche cuesta entre 79 y 89 euros. La gasolina ha subida un 12% y el gasóleo el 7,7%.

8)Hollande cuestionará el rigor fiscal de la UE con un plan de crecimiento; El candidato socialista francés apuesta por favorecer el empleo, mantener el poder adquisitivo y controlar las cuentas.

Com exceção da manchete de número 2, que versa sobre a crise na Grécia, e da de número 8, sobre as eleições na França, as demais versam sobre o momento político, econômico e social vivido pela Espanha.

Vou me deter a comentar somente duas áreas: educação e saúde.

Com a manchete “Los recortes disparan la preocupación por la educación y la sanidad”, Elsa García de Blas, no dia anterior (4 de abril), no mesmo El País, analisa a pesquisa “Barómetro del CIS (Centro de Investigaciones Sociológicas), de março de 2012. Esta pesquisa dá uma ideia geral do que os espanhóis estão vivendo, pensam e esperam.

O CIS fez a seguinte pergunta: “Por qual motivo a situação do ensino na Espanha é regular, ruim ou muito ruim?” Dentre os entrevistados, 22,1% responderam que é por falta de professores; 18,7%, porque se exige pouco dos estudantes; 14,2%, devido à baixa motivação do professorado. Ou seja, 36,3% responderam que é porque falta professor ou porque os mesmos estão desmotivados.

Observo que a pesquisa é fruto de um momento, mas este momento é resultado das políticas aplicadas durante, no mínimo, 30 anos.

Segundo a pesquisa, a educação é o quinto problema para os espanhóis. A saúde vem em seguida, em sexto lugar. E ambas têm, conforme a pesquisa, se deteriorado rapidamente. Os números dizem isso, pois a preocupação com a educação era lembrada, em janeiro deste ano, por 5,6% e, agora, por 10%. Em março de 2011, o índice era ainda menor: 4,3%.

Algo semelhante ocorreu com a saúde. Em março de 2011, a saúde era a preocupação de 3,4% dos entrevistados, e agora está em 9,3%. Estes dados mostram não só a preocupação, mas a deterioração dos serviços.

Seis em cada dez espanhóis creem que a educação necessita melhorar, e 62% respondem que a educação é regular, ruim ou muito ruim. E, pelas matérias do próprio dia 4, é possível dizer que essa melhora não será para breve.

Segundo J.A. Aunión, na matéria “Educación elimina el plan de creación de escuelas infantiles”, de 4 de abril, o governo de direita da Espanha, sob a égide de Mariano Rajoy, do PP, cortou mais de 600 milhões de euros do orçamento da educação, dos quais 166 milhões para bolsas de estudos, que no ano passado teve cerca de 500 milhões de euros.

Com este corte, desaparece o plano de criação de escolas infantis para menores de três anos de idade. Também desaparece o “Programa Escola 2.0”, de dotar as escolas com computadores portáteis e digitalizar as aulas.

A secretária de Estado, Montserrat Gomendio, para justificar os cortes na educação infantil, declarou que a educação até três anos de idade é mais assistencial que educativa. Pior, esta é também a opinião do ministro de Educação, José Ignacio Wert.

Grave também na Espanha é o abandono escolar, que é de 28,4%, quase o dobro da média europeia. Mesmo assim, esta área sofreu um corte orçamentário, da ordem de 1,1 milhão de euros a menos do que em 2011.

Também na saúde houve cortes. Segundo Javier Rey, em seu artigo “Sanidad y crisis em España”, o crescimento do gasto sanitário espanhol crescia acima do PIB há muitos anos e que agora vive uma realidade de cortes orçamentários.

Concluo: a Espanha, após aplicar, por cerca de 30 anos, o Consenso de Washington com todos os seus malefícios, busca sair da crise aprofundando mais e mais as mesmas políticas neoliberais (corte de gastos) preconizadas pelo mesmo consenso.

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