2014, um ano de oportunidades

Nesse ano que está começando ocorrerão no Brasil, eventos importantes, esportivos e políticos, que disputarão os espaços de mídia e a nossa atenção, mas não podemos deixar de lado o que é realmente importante para o país.

Em meu último artigo nesta coluna, fiz um balanço de como foi o ano legislativo de 2013, especialmente das proposições legislativas que dizem respeito à criança e ao adolescente. O ano que passou foi um ano intenso, marcado pela ausência de avanços significativos para os direitos humanos. No ano que está começando ocorrerão no Brasil, eventos importantes, esportivos e políticos, que disputarão os espaços de mídia e a nossa atenção, mas não podemos deixar de lado o que é realmente importante para o país.

Sete anos atrás foi anunciado que a Copa do Mundo de 2014 seria realizada no Brasil e, desde então, várias discussões sobre esse assunto se estabeleceram em diversos espaços de debate, na mídia e na sociedade em geral. Discutia-se se o país estaria preparado para receber tal megaevento ou mesmo se o Brasil deveria dispensar tantos gastos e esforços ao invés de tratar de seus problemas sociais internos. A despeito disso, o país já está se preparando para receber a Copa do Mundo, esperamos que aconteça sem maiores transtornos, e que mundo possa ver um espetáculo esportivo de alto nível.

Desejamos agora, depois de tudo o que foi investido, que o governo e demais entes sociais cuidem para que a realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil deixe um saldo positivo para nosso país. Grandes eventos como esse trazem com eles um aumento do fluxo de pessoas e, junto com essa movimentação, podem ocorrer violações de direitos, principalmente de crianças e adolescentes, o que merece atenção especial de todos os atores sociais, especialmente os integrantes do Sistema de Garantia de Direitos, violações que podem ser evitadas por meio de campanhas de proteção e de severa fiscalização e vigilância.

O ano de 2014 também é um ano eleitoral, o que é muito mais importante que a realização da Copa do Mundo, até mesmo se vencermos a competição esportiva. Por isso, gostaria de chamar a atenção de todos para que sejam feitas as melhores propostas, pelos candidatos, e as melhores escolhas, pelos eleitores. É importante atentar para as propostas dos candidatos para avaliar se essas propostas contemplam as prioridades e as necessidades da comunidade que ele quer representar.

Nas manifestações de rua que ocorreram em junho de 2013, cartazes exibidos nas ruas alertavam para alguns pontos latentes que precisam de maior atenção por parte dos nossos políticos. Um cartaz foi muito emblemático, clamando por escolas e hospitais no padrão FIFA, e ainda não teve um retorno significativo. Os royalties do petróleo para a educação e a saúde foram aprovados, às custas de muita pressão dos movimentos sociais, mas o Plano Nacional de Educação ainda tramita no Congresso e tem sofrido retrocessos preocupantes para a tão sonhada e requisitada educação pública de qualidade.

Não são somente os candidatos, entretanto, que precisam de mais consciência social e política. Os eleitores, nesse importante momento de escolha e de exercício democrático, também devem ter atenção aos seus candidatos e propostas simplistas e equivocadas. As propostas de solução que não incluem a educação como pilar central precisam ser olhadas com desconfiança. Estejam todos atentos, o ato de votar é dar poder para alguém te representar e fazer escolhas em seu nome.

Durante o período de propaganda eleitoral, o número de ideias cheias de soluções rápidas para os problemas sociais aumenta exponencialmente. Assim, é fundamental que se olhe para o histórico dos candidatos e se faça a escolha daqueles que realmente contribuem para a nossa sociedade e para a redução das mazelas sociais. É somente dessa forma que poderemos reerguer um dos cartazes mais marcantes da grande onda de manifestações que tomou nossas ruas em junho passado: "Não somos conduzidos. Conduzimos!".

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